Domingo, 17 de Dezembro de 2006

Carta ao Sr. José Nunes, promotor de uma petição para revogação da TLEBS

(O texto, ao ser aqui editado, sofreu algumas modificações de forma)

A sua petição leva-me a colocar as seguintes observações:
 
- a Terminologia Linguística vem-nos dizer quais são os termos gramaticais mais adequados, direi mesmo, mais certos.
- a Terminologia Linguística foi experimentada antes de ser generalizada.
- quando se faz uma experiência pedagógica, não há "cobaias", há apenas a experiência que todos temos que fazer em todas as coisas na vida, essa coisa que muitos quereriam perene, mas que também acaba um dia, com melhores ou piores experiências.
- a Nomenclatura Gramatical de 1967 está actualmente errada. Continuar a aplicá-la é impossível para mim, porque estudei e sei que está errada. Não ensino coisas que sei erradas aos meus alunos. Há mais de 20 anos, que estamos quase todos ilegais!
- dou-lhe exemplos de coisas que quase todos os professores do 1º e do 2º ciclo ensinam que contradizem a NGP de 67: artigos, possessivos e demonstrativos como petencentes à classe dos determinantes; grupo nominal, grupo verbal e grupo móvel; frase simples e frase complexa.
- além disso, há imprecisões conceptuais e rupturas no ensino da gramática que a TLEBS vem resolver. Por exemplo, devido a uma lacuna programática no 2º ciclo, há professores que dizem que o predicado é o verbo; outros que dizem que o predicado é o verbo com os seus complementos (obrigatórios ou acessórios). Exemplifico:
Na frase,
"O governo revogou a Tlebs",
(1) uns dirão que o predicado é "revogou";
(2) outros dirão que é "revogou a Tlebs"
Os que optam por (2) estão de acordo com o que os professores do 1º ciclo ensinaram sobre os grupos de palavras da frase, já referidos acima, nominal, verbal e móvel. Os que optam por (1), entram em ruptura com o 1º ciclo. É como se dissessem: esqueçam isso do grupo móvel, do verbal e do nominal que isso agora não interessa para nada.
Quem tem razão? Agora o senhor julgue. Trata-se de gramática muito simples:
  • O verbo "revogar" exige um complemento.
  • "Revogar" é revogar "alguma coisa" que se acrescenta ao verbo.
  • É isso mesmo, o complemento directo, "a Tlebs" tem que fazer parte do predicado, porque é um grupo de palavras que está agarrada ao verbo.
Mas o senhor, com esta petição, quer que a má experiência continue.
 
Vale a pena continuar uma má experiência?
 
Reconheço que a intervenção da Professora Maria Helena Mira Mateus nesse programa da Antena 2 cria confusão. Além de não responder de uma forma assertiva a algumas das questões colocadas pelo jornalista - tenho a certeza que poderia fazê-lo -, revelou insegurança, quanto a mim injustificada.
 
Por exemplo, a propósito da distinção entre complementos e modificadores, peço-lhe que verifique se o seguinte trabalho é ou não é exequível para os alunos do 3º ciclo.
 
  • Vamos analisar a frase "Camões esteve em Macau".
  • "Em Macau" é um complemento ou um modificador?
  • É um complemento se o verbo exigir a sua colocação. É um modificador se o seu acrescento for opcional e não obrigatório.
  • "Em Macau" é um complemento porque o verbo "estar" exige um grupo de palavras à sua direita.
 
Agora teste a antiga NGP:
  • Acha que "em Macau" é uma circunstância de lugar de "estar"?
  • O que significa "estar" sem especificação de lugar ou qualidade, ou tempo, ou o que quer que seja?
  • Ele exige um complemento para significar alguma coisa!
  • Repare que a palavra "circunstancial" significa "acessório", "facultativo".
  • Por um lado, temos o acontecimento, por outro, temos circunstâncias de "tempo", "lugar", "modo" e um número quase ilimitado de outras "circunstâncias" (Como me lembro de tentar decorá-las! Companhia, instrumento, intenção, finalidade, causa, etc.)
 
Não tenho a menor dúvida que na frase abaixo, "em Macau", seria aceitavelmente, um complemento circunstancial de lugar, isto é uma circunstância da acção:
 
"Camões escreveu parte dos Lusíadas em Macau."
 
Seria um modificador, diríamos hoje, uma vez que reservamos a palavra "complemento" para as palavras que respondem a uma exigência do verbo.

Penso que, neste debate, todos podemos entrar desde que tenhamos a humildade de ouvir e testar os argumentos de todas as partes. É impossível intervir sem tratar da coisa propriamente dita: a gramática.
publicado por Redes às 20:36
link do post | comentar | favorito
|
19 comentários:
De Inês Pinto a 17 de Dezembro de 2006 às 23:34
No fórum de gramática de apoio aos professores, no site do Ministério, o grupo "em Macau", na frase "X esteve em Macau", seria um Predicativo do sujeito.
Creio que não está em causa a renovação e a mudança no que respeita ao ensino da Gramática, mas devemos fazê-lo quando houver acordo entre os responsáveis, revisão do que pode e deve ainda ser aperfeiçoado na nova terminologia e tempo adequado para os professores avançarem na transposição didáctica depois de dissipadas todas as dúvidas que, neste momento, e mesmo após Acções de Formação, permanecem, como se vê pelo exemplo desta análise sintáctica.
Cordialmente,
inês Pinto


De Redes a 18 de Dezembro de 2006 às 00:01
Ora aí está uma objecção válida que lhe agradeço. À partida, não concordo com o dicionário da Terminologia Linguística, quando admite um sintagma preposicional como predicativo do sujeito. Para mim tem de ser um Sintagma Nominal ou um Sintagma Adjectival.
Quando aprofundamos a análise, ficamos sem solução, em circularidade, porque o "predicativo do sujeito" é-o porque há um verbo copulativo e este é-o porque há um predicativo do sujeito.
Espero que este seja um dos itens que está a ser revisto na Base de Dados da Terminologia.
No entanto, essa classificação não afecta o que pretendo demonstrar: "em Macau" é um complemento exigido pelo verbo!


De Redes a 18 de Dezembro de 2006 às 01:23
Continuando...
Estou a especular com a objecção da colega Inês Pinto. Entretanto, vou considerando que haverá sempre dúvidas e contradições na análise gramatical, sempre que a aprofundamos.
No problema que coloquei acima o que estava em causa é a obrigatoriedade ou a o carácter facultativo de um sintagma (complemento / modificador).
Se o sintagma "em Macau" é um predicativo do sujeito isso impede-o de ser um complemento preposicional? Se seguirmos a definição da TLEBS, não me parece, precisamente porque se diz que o predicativo do sujeito é seleccionado por um verbo copulativo. Ora um grupo preposicional que é seleccionado pelo verbo é um complemento:
"Função sintáctica de um grupo preposicional seleccionado como complemento pelo verbo da frase em causa e que não pode ser substituído pelo pronome pessoal na sua forma dativa ("lhe" / "lhes")."
Confesso que fui surpreendido por "em Macau" poder ser predicativo do sujeito que para mim tem de ter alguma forma de identificação com o sujeito e não introduzir um novo argumento. Que é o caso de
"O João parece um polícia"
Há uma identificação entre "João" e "polícia".
Quando se introduz um lugar, já não existe essa identificação que nos permitia na aula mostrar como do "atributo" se passava para o "predicativo" em que o verbo copulativo era algo parecido com um sinal de "igual a", ou "pertence a" ou outra forma de colar o atributo.
Nos exemplos abaixo,
(1) "Eles moram [em Lisboa]"
(2) "Eles estão [em Lisboa]"
Não entendo porque é que um é complemento preposicional e o outro é predicativo.
Não está, no segundo caso, o verbo "estar" a fazer exactamente o mesmo tipo de trabalho que o verbo "morar" no primeiro?
Não devemos temer estas contradições. A aula deve ser um espaço de análise e confronto de opiniões: isto resolve-se muito simplesmente assim:
"Uns dizem que X é Y, por esta e aquela razão. A minha opinião é que... Se quiserem saber mais vejam..."
O professor deve fazer a análise gramatical como sabe e até ao ponto em que sente que pode ser acompanhado pelos seus alunos.
Se o professor chega a uma situação em que a dúvida se instala, é bom que seja realmente um caso complexo. E, então, parabéns para si e para os seus alunos.


De Redes a 18 de Dezembro de 2006 às 01:57
Penso que a Inês Pinto se refere a
http://www.dgidc.min-edu.pt/TLEBS/CDPerguntasFrequentes/B4-009.htm
Pois considero totalmente insatisfatória a resposta dada à questão. Pelo contrário, identifico-me totalmente com a pergunta que me parece conter uma opinião muito bem fundamentada.
Que hei-de fazer? Não aceito posições de autoridade. Tenho que compreender. Só gostaria de saber a posição da Inês Pinto sobre isto.
Também não me disponho a estar à espera duma terminologia indiscutível para começar a ensinar gramática.


De Inês Pinto a 19 de Dezembro de 2006 às 00:55
Caro Colega,
Concordo inteiramente com muitas das suas afirmações. Na minha primeira intervenção, referia-me ao tópico " Predicativo do Sujeito ou Complemento?", iniciado a 5 de Novembro no fórum B4 - Sintaxe, de gramáTICa.pt, alojada no site do Ministério da Educação, onde pode aceder como visitante. Aí pode encontrar o fio da argumentação desenvolvida que eu creio girar em torno de um eixo "A TLEBS generaliza e simplifica a análise sintáctica"; em consequência é desaconselhado considerar uma dupla entrada para os verbos copulativos e assume-se que "o constituinte, qualquer que seja a sua categoria morfológica, que predica algo acerca do sujeito e que selecciona o sujeito é designado predicativo do sujeito"; mais adiante é reconhecido o duplo uso do verbo "andar", como intransitivo ou copulativo, consoante o contexto e de acordo com a Gramática de Mira Mateus, páginas 302 e seguintes.
"Uns dizem que x é y, por esta e aquela razão. A minha opinião é que... Se quiserem saber mais vejam..." Tem sido esta a minha atitude enquanto me encontro empenhada num processo de renovação do saber: estudo a Gramática acima referida e ainda "Instrumentos de Análise" de Inês Duarte, "O que é um Advérbio?" de Ana e João Costa e ainda outros, conforme a bibliografia indicada no site de apoio à TLEBS. Não posso é remeter os meus alunos para estas fontes, pois têm onze anos quando descobrem os verbos copulativos:
"O professor deve fazer a análise gramatical como sabe e até ao ponto em que sente que pode ser acompanhado pelos seus alunos". Neste momento não a faço como sabia, mas como a estou a aprender, isto é, de várias maneiras - "em Macau" seria, para mim, um complemento preposicional - , mas não posso envolver alunos tão jovens no "conflito das interpretações".
"Que hei-de fazer"? Empenho-me na transposição didáctica, com "temor e tremor", naquelas áreas em que as dúvidas não abalam a confiança básica dos alunos ou em que a TLEBS não trouxe alterações.
"Não aceito posições de autoridade. Tenho de compreender." Por isso estudo. E não é o enfrentar as dificuldades que vou encontrando neste aprofundamento da Gramática que me assusta; é antes a urgência do tempo para cumprir com acerto e honestidade a tarefa que a minha Escola - e por ela, os pais - me confiaram, neste ano lectivo de 2006.
Assim espero e confio que os mestres responsáveis por esta renovação tão necessária e justa saibam, a curto prazo, dialogar entre si e tomar as decisões que melhor sirvam os alunos deste país. Tal é a minha posição.

Inês


De Redes a 19 de Dezembro de 2006 às 21:38
Obrigado! Foi uma resposta muito clara.
Vou fazer isso mesmo. Continuarei a estudar o assunto, mas, quando o ensinar vou atender à sua crítica: no caso acima, "esteve em Macau", não é como eu disse um complemento preposicional e, sim, um predicativo do sujeito. Para o que eu queria exemplificar, teria sido melhor buscar um verbo que não possa de modo algum ser tomado como copulativo, como por exemplo, "Camões morou em Macau".
A Tlebs é isso mesmo, pôrmo-nos de acordo, no que é complexo e discutível, para efeitos didácticos.
Mas se um aluno disser que "em Macau", na frase "Camões esteve em Macau" é um complemento preposicional, eu não vou pôr errado. Mais importante do que a Terminologia é a capacidade de análise gramatical.


De joana a louca a 19 de Dezembro de 2006 às 10:39
Não tem vergonha de pedir uma coisa destas a um cidadão? Pedir-lhe que retire uma petição?Está com medo de qu~e?Quue os «loucos» como eu consigam na suspensão da Tlebs ? esteja descansado que editores e autores não vão deixar que se interompa...e o dinheirinho gasto ou em vias de gastarem?


De Redes a 19 de Dezembro de 2006 às 21:25
Não pedi nada disso. Apenas critiquei. O Sr. José Nunes é que sabe se retira a petição ou não. É justo pedir que se retire uma petição, com a clara consciência de que a responsabilidade desse acto pertence a quem a iniciou. Mas não foi o que fiz. Apenas critiquei.


De Pedro Mendes a 22 de Dezembro de 2006 às 00:53
Pedir a alguém para ter bom senso é atentar contra a sua liberdade?
E o que direi eu que, caso a petição seja atendida, me verei obrigado a inverter as práticas de ensino, a ensinar o que sei que é incorrecto, a ver que as minhas queridas colegas que insistem em não cumprir o programa são favorecidas e eu penalizado?
Quem me defende a mim que tenho cumprido os programas?
Não coloco on-line a resposta que recebi do tal José Nunes por respeito para com o senhor, mas é triste ver como os encarregados de educação podem ser instrumentalizados a favor da incompetência.


De José Nunes a 22 de Dezembro de 2006 às 03:40
Caro(a) "Redes"
Agradeço a "carta" que me dirige mas digo-lhe que, ou a assina e se identifica devidamente ou considero-a anónima e como tal sem valor, o que é pena uma vez que está bem fundamentada e denota conhecimento.
É a primeira vez na vida que respondo a um texto anónimo na internet. Será a última.
(Lamento mas não descobri a autoria deste post - e já agora deste blog - talvez por lapso meu. Considero o anonimato um acto cobarde).


De Redes a 22 de Dezembro de 2006 às 19:20
Peço-lhe desculpa se a minha identificação não está no email que lhe enviei. Nos meus emails entram "by default", nome, morada, nº de telefone, email, etc.. Se estes elementos não aparecem, poderá ter sido por clicar no "mail to" da página da sua petição e o programa (Outlook Express), não ter inserido a assinatura automática.
Pôr a palavra "cobardia" aqui é um pouco exagerado. Nem pelo tema, nem pelo teor do meu email, havia qualquer justificação para esconder a minha identidade.


De José Nunes a 22 de Dezembro de 2006 às 03:48
Caro Pedro Mendes,
Agradeço o respeito que lhe mereço e garanto-lhe que é mútuo. Como tal sou eu que vou publicar aqui integralmente a resposta que lhe enviei por e-mail, pois entendo que o seu comentário levanta segundos sentidos. Um reparo ainda ao seu desabafo sobre instrumentalização: se ser instrumentalizável é não permitir que quem quer que seja faça "experiências" - sejam elas quais forem, até as pedagógicas! - com a criança à minha responsabilidade, então, tem toda a razão! Sou instrumentalizável e com muito gosto. E garanto-lhe que vou continuar a ser instrumentalizável por muitos e bons anos. Pelo menos mais oito. E agora passo a publicar o e-mail que lhe enviei. Se não concordar com a sua publicação, aceito sem problemas que o editor deste blog o retire de linha, a seu pedido expresso. Sinceramente, por mais que o leia, não encontro nele motivos para o ter deixado tão triste. Aqui vai:
"Caro Prof. Pedro Mendes,
Agradeço o seu e-mail e respeito o seu ponto de vista. Como deve calcular, uma Petição destas não se faz de ânimo leve, nem devidamente fundamentada e informada por pessoas que sabem mais que eu, um mero Encarregado de Educação. Assumo plenamente o que escrevi e assinei e uma coisa pode garantir: a Petição não será retirada.
Quero que compreenda que nada me move contra a Terminologia Linguística em si, ou contra o aprofundar do conhecimento que é necessário fazer na Língua Portuguesa, tal como em qualquer outra Ciência. Se há coisa que a História da Ciência e a História das Ideias nos ensinam é que qualquer Disciplina que não evolua, morre.
A experiência e o experimentalismo são conceitos basilares em qualquer projecto de investigação e desenvolvimento digno desse nome.
A questão central que nos move é aplicação desse experimentalismo em crianças. Peço-lhe que ouça com atenção as palavras da Prof. Maria Helena Mira Mateus, na entrevista que deu à Antena 2 e cujo link está no texto da Petição. É o reconhecer da falácia de todo este processo, do amadorismo com que a TLEBS foi atirada para cima dos nossos filhos, da irresponsabilidade de propor termos experimentais, em permanente revisão. A Professora diz que até 2009 temos muito tempo. Nós dizemos que não. Até 2009 os nossos filhos cresceram, estiveram 3 anos num processo que, desculpe a expressão, mais não é que uma enorme bagunça. Não preciso de lhe dizer que as crianças crescem depressa, o caro professor, como pai, o saberá por experiência própria. E depois? A experiência acaba. Imagine que correu mal e fica sem efeito. Estas duas gerações TLEBS retêm o quê?
Estas são as razões acessórias. A principal, a de fundo, a que move, é a de não permitir nunca e em caso algum que alguém, seja quem for, pratique experiências em filhos meus. Sejam essas experiências de que tipo forem. Seja esse alguém quem for. Inclusive o Estado. E é o Estado que define a TLEBS como uma "experiência pedagógica".
Podia ainda falar do lado Constitucional da questão, e invocar o artigo o ponto 1 do artigo 74º mas seria alongar-me demais. Apenas lhe digo que qualquer conteúdo experimental viola esse artigo nomeadamente no referente a não permitir uma "igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar" e a TLEBS é, para nós, um conteúdo experimental. Pode muito bem vir a dar-se o caso de a TLEBS ser declarada inconstitucional. Imagine!
Agradeço o seu ponto de visto e felicito-o por ele, pela paixão pela Educação que demonstra. As discussões não vivem de consensos, é da polémica que nasce a luz. Vou reler tudo o que escreveu uma e outra vez, comparar com as minhas opiniões. Quem sabe se ainda não vamos encontrar pontos em comum? A começar por sermos ambos pais. E por estarmos preocupados com a qualidade do ensino, com o estatuto e a carreira de professor, com o cumprimento de programas...está a ver? Assim de repente, temos já uma série de pontos em comum. Quer-me parecer que também temos a TL em comum. O que nos separa é o "EBS" da TL, com carácter de "experiência pedagógica".
Quero só chamar-lhe a atenção para o que está a acontecer em França num processo parecido ao da TLEBS e que agora, ao fim de muitos anos, parece ter chegado ao fim: dois artigos de há duas semanas, um no Le Fígaro e outro no Le Monde retratam a situação.
Tire as suas conclusões.
Um abraço do José Nunes"


De Pedro Manuel Mendes a 22 de Dezembro de 2006 às 14:24
Caro Sr. José Nunes,

Deixe-me, antes de mais, esclarecer o que entendo por instrumentalização. Quando diz que a petição está fundamentada e informada por quem sabe mais do assunto, levanta-se-me de imediato a questão de saber quem são essas pessoas.
Sobre a minha tristeza: como lhe disse no meu primeiro email, a terminologia só tem preocupado alguns professores, a saber:
- os que a descobriram apenas quando saiu um despacho do ME dizendo que os exames lhe fariam referência, apesar de já estar em experiência há alguns anos;
- os que nunca ensinaram gramática ou a ensinavam a despachar para poderem assinar o sumário;
- os que se recusam a fazer formação porque a carreira está congelada;
- os que dão aulas pelo manual e não relacionam a terminologia com os programas;
- os que andam a dizer aos alunos que é tudo muito complicado.
Estes, muito competentes, são os grandes beneficiados pela sua petição.
Compreende a minha tristeza? É muito mais recompensado aquele que não cumpre! Mas sempre foi assim, não é?
Desculpe a brincadeira, mas já me tenho referido à sua petição, como a petição pró-laxismo!


De Redes a 22 de Dezembro de 2006 às 19:32
Caro Sr. José Nunes,

Não li esses artigos. Se tiver uma referência (link) ou uma cópia, agradecer-lhe-ia que ma enviasse. Se tiver disponibilidade para tal, claro.
Sou o responsável por este blog e a pessoa que lhe enviou o email com o texto acima: Luís Filipe Redes Palma Ramos,
luis.filipe.redes@netvisao.pt.


De José Nunes a 22 de Dezembro de 2006 às 03:52
Caro Pedro Mendes,
Por imposição do limite de 4300 caracteres neste sistema de comentários (!) fui obrigado a retirar os urls dos links para os artigos dos jornais franceses que referi, tendo com isso alterado o texto.
Aqui ficam os links:
Le Figaro: http://cgi.lefigaro.fr/france/20061125.FIG000000781_les_programmes_de_grammaire_au_pilori.html
Le Monde
http://www.lemonde.fr/web/article/0,1-0@2-3226,36-837774,0.html?xtor=RSS-3224%3Cbr%20/%3E

JN


De joana a louca a 22 de Dezembro de 2006 às 19:12
Quem o autoriza a desconsiderar tantos colegas de valor e excelentes professores , que sempre ensinaram gramática e que discordam, depois de a estudar a fundo, da Tlebs aplicada acriticamente ??Você, por acaso, segue a politica da minitra sintetizada com o «Perdi os professores, mas ganhei a população»?Ou acha-se mais sério do que tantos outros professores?
Para seu governo: fui professora durante 36 anos, -estou neste momento aposentada -sempre ensinei gramática e sempre ensinei e motivei para a leitura.


De Pedro Manuel Mendes a 22 de Dezembro de 2006 às 20:33
Infelizmente, autoriza-me a experiência. Fui insultado várias vezes por querer cumprir programas no que diz respeito aos conteúdos de gramática.
Se estamos a falar da aplicação acrítica da TLEBS, estamos inteiramente de acordo. Mas isso não é a TLEBS, nem o que pretende ser. Se se seguirem as recomendações da DGIDC, a TLEBS não é para ser aplicada acriticamente. Agora, como já disse várias vezes, vale a pena então recolocar o problema: onde está a falha? Na TLEBS ou no que se anda a fazer com ela? A resposta parece-me evidente.

Já não devo aparecer aqui até ao Natal. Boas festas a todos e parabéns ao autor deste blog, que tanto alento me tem dado.


De arlindo a 8 de Dezembro de 2009 às 15:29
Ora Sr. Nunes, aqui está uma boa maneira de fugir com o rabo à seringa.
Fala assim de cobardia...


De Redes a 9 de Dezembro de 2009 às 01:48
Olá Arlindo,
Obrigado pelo seu comentário.
Apesar dos protestos, a Tlebs fez o seu caminho, foi discutida pelos professores, reformulada e agora está plasmada num dicionário terminológico no site do Ministério da Educação e nos novos programas do ensino básico.
Obrigado


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Novembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
25

26
27
28
29
30


.posts recentes

. "Tablets" e computadores ...

. Desventuras de Maria do C...

. A revolução russa vista p...

. Processos de transformaçã...

. "Colectivos" - o partido ...

. Nicolás Maduro defendido ...

. Avaliação da Homeopatia

. Deve o exame condicionar ...

. Bloomberg desvaloriza efe...

. Tratados ortográficos int...

.Blogs das minhas desoras

.Extreme Tracking

eXTReMe Tracker

.Wikipédia

Support Wikipedia

.arquivos

. Novembro 2017

. Julho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Julho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Maio 2015

. Março 2015

. Janeiro 2015

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Outubro 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Outubro 2007

. Junho 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

blogs SAPO