Terça-feira, 10 de Maio de 2005

Política: mercado livre

Será que para estarmos de acordo com a organização mundial do comércio teremos que voltar a dias de trabalho de dez horas? Esta e outras do género parecem ser as reivindicações dos empresários chineses. Nas suas fábricas aliam as técnicas mais avançadas de produção do século XXI a condições de trabalho típicas do século XIX. Há casos em que os trabalhadores fazem 10 horas por dia. Os salários são 5 a 6 vezes inferiores aos nossos.
A nossa indústria não pode concorrer com tais condições num mercado totalmente aberto. A solução que os estrategas da economia nos propõem é alterarmos a nossa posição na divisão internacional do trabalho, passando a produtos de maior densidade tecnológica e com mais design, isto é, em vez de fazer tecidos, passaremos a vender fábricas de tecidos ultra-modernas, onde os chineses colocarão os seus trabalhadores ultra-explorados a produzir com altas taxas de produtividade e salários baixíssimos.
Vamos fomentar o nosso desemprego para dar emprego de baixíssima qualidade a milhões de chineses. Se usam a mesma tecnologia, era caso, para lhes exigir:
- semanas de, no máximo, 40 horas;
- repressão efectiva do trabalho infantil;
- ingualdade salarial entre homens e mulheres;
- condições de segurança e higiene no trabalho;
- liberdade de associação sindical;
- direito à greve
. Se algumas destas ou de outras condições não fossem cumpridas, esses produtos não deveriam concorrer nos nossos mercados com os das nossas fábricas. Quem não se preocupa absolutamente nada com isso são os nossos grandes capitalistas porque podem mobilizar os seus capitais para a China e beneficiar também da docilidade e do baixo preço do trabalho chinês. Mas os trabalhadores ficam sem solução: nem podem ir para a China trabalhar nem trabalhar cá com salários chineses!

publicado por Redes às 14:50
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Segunda-feira, 2 de Maio de 2005

Escola: ideias para organizar o espaço e o tempo lectivos a favor da individualização

Sempre que tento individualizar o ensino, por exemplo, tomar medidas para que alunos com maiores lacunas na aprendizagem façam um trabalho diverso do "main stream", encontro dificuldades tais que me levam a concluir que o que é certo é fazer igual para todos.
Parece que todo os espaços e tempos escolares estão feitos para levar a todos por igual e não para diferenciar estratégias, resolver dificuldades individuais, apontar caminhos a alunos mais originais e autónomos. Estou convencido que sobre isto não tenho muito que me queixar, mas sim de reflectir nas opções que devo tomar, seleccionar e preparar materiais que me permitam uma maior autonomia do aluno, etc...
Isto é, apesar das dificuldades constantes que enfrento, estou convencido de que o sucesso está em ir de encontro às necessidades de cada aluno. Quero escrever mais sobre este assunto, mas não com o tom de quem se queixa da falta de condições, porque essas são as que temos.
Como os espaços e os tempos lectivos são exíguos, limitativos e a turma é uma agrupamento imposto ao aluno que o obriga a caminhar a um certo ritmo, e leva o currículo a uma sincronização forçada, cabe-me perguntar se a gestão da escola não pode fazer nada no sentido de contrariar essa uniformização.
Um exemplo concreto: um professor de Língua Portuguesa acha que 10 ou 15 alunos já têm textos com suficiente maturidade para os passarem no computador. Uma resposta que me parece que salvaguarda a sincronização total é: o professor requisita a sala de informática e põe os alunos que ainda não têm os textos suficientemente amadurecidos a fazer outras coisas. Enfim, mantém-se a unidade turma com uma programação forçada.
Um outro cenário seria o professor enviar os alunos para a sala de informática onde poderiam digitar os seus textos. O cumprimento desta última hipótese implica a existência de salas de computadores disponíveis para todos os alunos da escola. Na sala tem de haver um professor responsável que cuide da sua manutenção e do apoio aos alunos que lá vão. Penso que um serviço destes substituía com vantagem uma disciplina de TIC de informática do ponto de vista do utilizador e permitiria uma maior autonomia na gestão dos tempos de cada aluno.
Um obstáculo que se coloca a esta solução é a falta de horários, isto é, de professores disponíveis. para cumprirem um horário de pemanência. Não sei também como são contabilizadas essas horas, se como horas do horário de 35 horas, se como horas lectivas. É que se o caso fosse o segundo, haveria mais horas livres.
Já tive tarefas deste tipo que me foram contabilizadas como tempos lectivos o que me pareceu injusto, mas aceitei por ser o critério geral. Acho que uma hora lectiva é muito mais pesada, pois implica trabalho de preparação e de correcção dos trabalhos dos alunos. Nessa altura, achava extremamente injusto que colegas meus tivessem um horário lectivo de 22 horas, enquanto eu com reduções e horas de serviços deste tipo, ficava com uma carga lectiva exageradamente mais leve.
Actualmente, há colegas com horário zero e outros com outras situações que têm muito pouco trabalho se o compararmos com a carga lectiva normal. Se um horário lectivo de 22 horas corresponde a 35 horas semanais, um de 18 corresponde a 28 e um de 14 a 22. Parece-me, pois, que alguém tem de decidir sobre como é que actividades não lectivas devem ser consideradas no horário dum professor. Por mim, não me importaria de ter 5 horas de permanência na sala de informática contadas como 3 no meu horário, desde que não implicasse qualquer outra tarefa extra e tal atribuição correspondesse a um critério estabelecido.

publicado por Redes às 19:36
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