Sábado, 15 de Março de 2008

Como as notas poderiam ser significativas

As notas para serem significativas e motivadoras deveriam referir-se com clareza às competências e aos conhecimentos adquiridos. Tratar-se-ia de traduzir os progressos realizados pelos alunos numa escala de níveis de desempenho conhecida por todos.

As etiquetas numéricas a que chamamos "níveis" carecem de sentido precisamente por se referirem a demasiadas coisas ao mesmo tempo. Independentemente de utilizarmos ou não as escalas de 1 a 5, de 1 a 20 ou de Muito Insuficiente a Muito Bom,  deveríamos começar a prestar uma informação mais substancial de uma forma mais sistemática.

O nosso sistema de avaliação e classificação tinha muito a ganhar com as seguintes alterações:

  • A retenção, repetição ou chumbo de ano deve deixar de ser considerado o resultado inevitável do baixo desempenho escolar para se tornar num recurso pedagógico utilizável em certos casos, em que se acredita que o aluno vai melhorar o seu nível, com esse procedimento.

  • Consequentemente, a passagem de ano deve deixar de ser um objectivo a perseguir pelo aluno.

  • Se um conselho de turma se pode decidir pela repetição de ano, casos haverá em que poderá decidir o avanço de ano, em casos de elevado desempenho.

  • O objectivo de cada aluno deve ser obter uma certificação de conhecimentos adquiridos e de competências desenvolvidas. Independentemente de haver exames externos ou não, as escolas deviam certificar os resultados escolares efectivos.

  • Deve haver uma separação clara entre comportamento, atitudes e valores por um lado e conhecimentos e competências, por outro. A parte ética, moral e social - a disciplina do trabalho, o respeito por regras de convivência, a relação com os outros, etc. - deve também ser certificada com rigor, em sede própria.

Para avançar neste sentido, devia ser criado um sistema de níveis de desempenho para todas as disciplinas do Ensino Básico.

Um exemplo inspirador é o dos "attainment targets" do National Curriculum inglês. Cada disciplina (ou domínio de competências) tem uma sequência de 9 níveis de desempenho que vai da iniciação à maturidade e às mais altas realizações. Ao atribuir um "3" ou um "5" a um aluno de 13 anos (7º ano), um professor inglês de História, está a referir-se a uma tabela de níveis de desempenho do programa da disciplina, que estabelece a correspondência entre etiquetas e descrições. Neste exemplo, o "3" está abaixo dos desempenhos esperados para a maioria dos alunos do 7º ano, ao passo que o "5", é já um bom desempenho.

Dei-me ao trabalho de traduzir para a tabela abaixo o que eu acho que seria uma lista de níveis de desempenho na leitura. Fiz este trabalho de uma forma livre, sem muito rigor, e com alguns pequenos ajustes ao conteúdo. Para orientação dos leitores, acrescento que 4 seria um bom desempenho no final do nosso 2º ciclo e 6, para o final do nosso 3º ciclo.

Níveis

Leitura (desempenhos correspondentes)

Nível 1

- Reconhece palavras familiares em textos simples.

- Usa o conhecimento das letras e das relações entre fonemas e grafemas1 para ler palavras e estabelecer significados na leitura em voz alta.

- Identifica aspectos do seu interesse em poemas, histórias e textos não ficcionais.

Nível 2

- Compreende adequadamente textos simples.

- Expressa opiniões a propósito dos acontecimentos ou ideias principais de histórias, poemas e textos não ficcionais.

- Quando se encontram perante uma nova palavra escrita, usam várias estratégias de leitura, incluindo chaves fónicas, gráficas, sintácticas e contextuais.

Nível 3

- Lê diversos textos de vários géneros, de forma autónoma, correcta e fluentemente.

- Compreende os pontos principais de um texto.

- Usa o conhecimento do alfabeto para localizar livros em bibliotecas e bibliografias e informações, em dicionários e enciclopédias.

Nível 4

- Faz inferências e deduções. Compreende ideias significativas, temas, acontecimentos e personagens reconhecidos nos textos.

- Refere-se ao texto, para explicar a sua perspectiva. Localiza e usa ideias e informações do texto.

Nível 5

- Identifica aspectos, características principais, temas e personagens; selecciona expressões, frases e informações relevantes para justificar a sua opinião.

- Obtêm informações de diferentes fontes e junta-a.

Nível 6

- Reconhece diferentes níveis de sentido num texto e discute diversos significados implícitos ou intencionados.

- Faz uma leitura pessoal de textos literários, fundamentada em aspectos da linguagem, da estrutura e dos temas.

- Sumariza informação de diferentes fontes.

Nível 7

- Compreende a forma como o sentido e a informação são comunicados nos textos que lê.

- Elabora perspectivas pessoais e críticas de poemas, peças de teatro e romances, compreendendo as suas características temáticas, estruturais e linguísticas.

- Selecciona e sintetiza séries de informações de várias fontes.

Nível 8

- Aprecia e comenta uma série de textos referindo-se aos recursos linguísticos, textuais e estruturais investidos pelo autor para obter determinados efeitos.

- Selecciona e analisa informações e ideias e comenta a forma como são apresentadas em diferentes textos.

Nível 9

- Sustenta a sua leitura e desenvolve as suas ideias referindo-se com pormenor a aspectos de linguagem, estrutura e apresentação.

- Compara textos tendo em conta audiência, intenção comunicativa e forma.

- Identifica e analisa argumentos, opiniões e interpretações alternativas, cruzando referências, quando apropriado.

A complementar esta grelha, haveria uma sequência de vários géneros de textos que evoluiria tanto em extensão como em complexidade retórica e linguística, pois a complexidade das tarefas de leitura depende também dos objectos a que se aplicam.

Finalmente, seriam feitas duas grelhas similares, uma para a escrita, outra para a comunicação oral, pois a leitura expressa-se oralmente e por escrito.

Se tivéssemos um sistema deste género, para as disciplinas do Básico, talvez não tivéssemos que ouvir, por um lado, a Sra. Ministra a queixar-se dos professores reprovarem demasiados alunos e, por outro, comentadores a acusarem-nos de facilitismo.

Quer um certo aluno passe de ano, quer não, o professor do ano seguinte saberia qual o nível em que ele se encontrava e o que deveria esperar dele.

Para uma informação sobre o currículo inglês, consulte http://www.nc.uk.net.

1Grafemas são letras ou grupos de letras que representam padrões de sons da língua (fonemas).

publicado por Redes às 23:35
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Sexta-feira, 14 de Março de 2008

As notas

As notas escolares não diferem muito das notas monetárias. Em si próprias, nada valem, nem sequer papel são, como acontece com o dinheiro. Dependem totalmente do crédito que se lhes atribui socialmente. Se acontecesse ao dinheiro o mesmo que às notas escolares, estaríamos numa crise económica sem precedentes, pior do que a de 21 ou a de 29. Na economia do sistema escolar, não há qualquer hipótese de recuperar o valor perdido das notas que cada um acumulou, com uma corrida aos bancos, por exemplo, como acontecia noutros tempos: quando o papel já não tinha crédito, pedia-se a devolução do ouro que ele representava.

Se a desvalorização das notas resultasse de um aumento da oferta do que elas representam, isto é, de indivíduos qualificados, estaríamos bem e não teríamos nenhum motivo para querer diminuir o seu valor nominal, pela pressão do número. A inflacção de que tratamos aqui tem a ver com o valor intrínseco, absoluto e não relativo do que as notas representam. Isto é, a qualificação científica e cultural dos indivíduos não acompanhou proporcionalmente o aumento das correspondentes notas no mercado. Resultado: já ninguém acredita nelas!

Paradoxalmente, não há curso em que os alunos não desejem notas cada vez mais altas, fingindo ignorar que, quanto mais generosos forem os seus professores, menor valor tem o que oferecem. Inversamente, quanto mais exigentes forem os critérios de atribuição, maior valor têm as notas concedidas.

O facilitismo resulta na concentração dos valores numa pequena parte da área positiva da escala e, sobretudo, nos valores considerados bons - 13 a 20, que são aquilo que José Sócrates designou em entrevista "notas que não envergonham ninguém". Seria interessante ver quantos alunos têm notas passíveis de "envergonhar alguém" nas nossas universidades.

O problema é que, se as escolas forem consideradas equivalentes a priori , os finalistas das escolas mais exigentes não se distinguirão dos que são oriundos das de menor qualidade ou que são mais generosas nas notas.

No ensino básico, com a institucionalização da escala 1 a 5, o sistema semiótico das notas cedeu a pressões igualitárias e perdeu poder de distinção. Contudo, no secundário, a escala de 0 a 20 continuou a vigorar. Quando a distinção se torna necessária, por causa dos numerus clausus, a escala de 1 a 20 transforma-se num sistema alienante de 0,0 a 20,0, em que já ninguém sabe, na prática, o que significa a diferença de 0,1 que pode impedir um indivíduo talentoso de seguir uma carreira médica, por exemplo.

Quando o leitor se encontra perante uma pauta de classificações de uma escola, que lhe parece que significa cada 3, 4 ou 5 que encontra à sua frente? Sucesso escolar! - dirá, sem qualquer margem para dúvidas. Inversamente, o 2 e o virtualmente inexistente 1, significam insucesso. Tem mesmo a certeza disso?

As notas, são, primeiro, atribuídas pelo professor que tem como referência as exigências programáticas oficiais. Mas os programas têm que ser aferidos ao currículo que é concretizado na sala de aula. Assim, o 5 atribuído numa turma tumultuosa ou fraca acaba por ser menos exigente do que aquele que é atribuído numa turma de alunos de alto desempenho. No conselho de turma, a nota negativa de um aluno pode ser alterada para "3", à revelia da opinião do professor, a fim de permitir que o aluno, de acordo com a lei, "passe de ano".

Faço aqui um parêntese para perguntar porque é que a legislação nos obriga a mentir e a desautorizar um professor para passar um aluno de ano. Trata se unicamente de salvaguardar a regra de que a passagem de ano implica não ter mais de duas negativas, ou negativa a Língua Portuguesa e Matemática, em simultâneo.

Além disso, um aluno com necessidades educativas especiais, por exemplo, poderá beneficiar de um currículo adaptado e de regras de avaliação diferentes, mas as designações são as mesmas: 1 a 5.

Como se isso não bastasse, o professor considera no nível que atribui coisas como "valores e atitudes" ou "comportamento e participação". Alguns autores de livros sobre a disciplina na sala de aula, consideram que o professor pode estabelecer um contrato individual com o aluno utilizando como moeda de troca gratificações na classificação.

Assim, quando olhamos para um 4 a Matemática numa pauta do 6º ano, de acordo com a lógica do "antigamente", deveríamos pensar: "olha, este aqui é mesmo um bom aluno a Matemática; seria um de 16, no meu tempo". Mas não: pode ser um caso de "nee" que finalmente conseguiu decorar a tabuada, um aluno satisfatório que começou a comportar-se bem ou um "hooligan" que concordou em não partir as carteiras da sala de aula num contrato estabelecido com o professor.

O que é curioso é que é com um sistema classificatório desta latitude que o governo quer medir o desempenho pedagógico dos professores. Como as pessoas que propõem isto são inteligentes, só podemos concluir o seguinte: o governo quer aumentar ainda mais a latitude dos critérios das notas, com mais um parâmetro, a classificação do próprio professor. Engenhoso: ao dar notas, classifico-me a mim próprio e dou uma ajuda nas estatísticas do governo. Vamos a isso!

publicado por Redes às 22:47
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Domingo, 2 de Março de 2008

Exames - email para Henrique Monteiro

Do artigo de H. Monteiro (Expresso, 1 de Março):

"Falar de exames é, para Ministério e sindicatos, como falar do diabo. No entanto, a sua realização seria a forma mais justa de avaliar o desempenho dos professores e o que realmente interessa: a qualidade da transmissão de conhecimentos"

"Vejamos, por exemplo, o caso da avaliação dos professores. Se tudo fosse feito de forma simples (e não da forma pretensamente científica que os burocratas da 5 de Outubro gostam de apregoar), seriam considerados melhores professores aqueles cujos alunos tivessem melhores resultados. Simples? Para o Ministério não é, porque o Ministério se opõe a exames nacionais, cujos resultados seriam a única forma de aferir, de modo justo e igual para todos, os conhecimentos adquiridos."

Email:

O seu artigo é de uma imbecilidade angustiante.
 
Com os exames, nunca se sabe o que estamos a avaliar:
- o nível económico e cultural dos pais;
- a qualidade dos explicadores que o aluno tem em casa;
- o acesso a bens culturais;
- o trabalho do encarregado de educação;
- as potencialidades cognitivas dos alunos;
 
Por causa de vários desses factores, tenho uma turma que tem 2 alunos de desempenho bom e 6 que mal sabem ler (dos quais 4 ou são repetentes ou já repetiram anos no 1º ciclo) e 11 com um desempenho satisfatório (com alguma condescendência).
 
O nível de leitura dos 6 acima referidos impõe um trabalho especial de diferenciação pedagógica. Uma vez tendo já determinado as suas características, sei que não lhes posso exigir o mesmo que à maioria, nem posso adaptar o programa da turma para o nível que eles têm, pois isso deixaria os outros a não aprender nada.
Tenho à partida 6 alunos que sei que não poderão ter o mesmo sucesso numa prova normalizada, aferida aos programas oficiais.
Acresce que algumas destas crianças vêm para a escola porque a lei assim o exige, senão estariam a trabalhar no campo ou nas obras. Creio que o Henrique Monteiro quer devolvê-las a esses lugares.
 
Ora, há um colega meu que tem uma turma que tem, apenas, 1 aluno com as características dos meus 6 e tem 10 ou 12 alunos, entre o bom e o muito bom, que fazem sempre o trabalho de casa, nunca faltam, nunca repetiram o ano e vêm a todas as aulas.
O êxito dos alunos dele será muito superior ao dos meus, ainda que ele seja pior professor do que eu!
 
Embora os exames possam ser úteis, não servem de maneira nenhuma para avaliar os professores.
publicado por Redes às 03:12
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Desde Cuba

Cuba, como eventual destino de férias, deixou-me sempre renitente. Já fui à Tunísia, outra ditadura, mas Cuba era outra coisa, talvez por ter seguido a sua história, desde os anos 70, primeiro como uma espécie de alternativa saudável ao socialismo siberiano, numa época em que éramos todos marxistas e a questão não se punha entre democracia e socialismo, mas sim, entre as variantes de socialismo presentes no mostruário marxista-leninista.
A meio da década de 80, já tinha bem claro, que o que havia a mais em Cuba era apenas o sol que faltava ao Gulag. As notícias da fuga massiva de centenas de milhar de cubanos para os EUA e da repressão que eram alvo por parte do governo de Castro, a prisão de intelectuais e de tímidos políticos da oposição deixaram-me bem claro do que se tratava.
As perspectivas políticas abertas pela doença do líder encheram num primeiro momento de esperança muitos cubanos, para pouco depois os decepcionarem.
De um "site" cubano retirei estas palavras que resumem algumas das delícias que fazem o sonho de muitos cubanos:
"Se trata de poder comprar, con lo que ganamos decentemente en nuestro trabajo cualquier cosa que esté en el mercado y poder pagar con él todo tipo de servicio, como un teléfono móvil, el alquiler de un auto o un paseo por las costas de la isla. Que hospedarse en un hotel no constituya un premio sino un derecho; que acceder a Internet en nuestra casa no sea un delito; que nuestro país sea el sitio al que queramos volver siempre y no el lugar de donde no podemos salir si no tenemos un permiso... todo eso se está soñando."
(http://www.desdecuba.com)
Agora que o Partido Comunista Português fez sua a nossa luta de professores descontentes e fez uma marcha em defesa da democracia ameaçada, gostaria de lhe perguntar o que pode fazer pelos cubanos que lutam por coisas que a maior parte de nós já tem. Qualquer coisa que não seja mais um elogio ao decrépito Comandante.
publicado por Redes às 02:05
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