Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

Rankings e chumbos - o seu a seu dono

(Antes deste, leia por favor o artigo anterior, Chumbos no Le Monde Diplomatique já aqui abaixo. Obrigado)

 

Estamos perante a edição de 2008 dos rankings. Na televisão, entrevistam-se as doutas opiniões dos dirigentes de escolas vencedoras e de escolas derrotadas. À baila, vem também a proposta do CNE de acabar com os chumbos. E nas clarividentes respostas o fim dos chumbos é conotado com facilitismo. Mas não vi ninguém mostrar em que é que o chumbo contribui para a excelência na educação.

O director do S. João de Brito crê na eficácia pedagógica do seu colégio, mas ignora a selecção social operada pelas suas propinas. É a isto que chamam ciência pedagógica? Privatizem a educação e que julgam que terão? O brilho do S. João de Brito espalhado pelo país? Eu adivinho: os alunos pagos pelo estado não terão melhor rendimento médio do que aquele que tem actualmente a generalidade das escolas públicas. Os colégios como o S. João de Brito, onde as propinas ultrapassam a capitação estatal, serão os campeões do ranking. Quem paga mais terá melhor educação pela simples exclusão dos que não podem pagar, que têm, em geral, muitos problemas. As propinas não são apenas o custo do ensino são também uma forma de reservar o direito de admissão.

Isso é o que esconde o director do S. João de Brito e o que mostra a directora da Escola Infanta D. Maria de Coimbra quando se queixa da sua desvantagem competitiva: não poder escolher os alunos. É o que exibe despudoradamente a Escola EB2,3/S do Cerco do Porto, a grande derrotada - o que fazer destes alunos?

Os rankings são um triste espectáculo porque não mostram nunca os verdadeiros vencedores: o rendimento das famílias dos alunos, as habilitações académicas dos pais, o custo unitário por aluno e, em último lugar, os professores e a gestão da escola. As outras variáveis têm um peso tão avassalador que nunca saberemos o verdadeiro peso da qualidade do corpo docente.

A escola passa a ser uma marca de excelência que o ranking não faz senão reforçar. Os mais abastados escolherão os colégios de topo para os seus filhos e esta afluência resultará inevitavelmente na reedição do sucesso. As propinas terão assim margem para subir.

Disto não falam os responsáveis. Querem garantir que o sucesso é seu. Preferem ignorar o verdadeiro carácter de classe da sua selecção escolar. Por isso, ao se compararem com a escola pública dizem disparates como o que ouvimos do director do S. João de Brito: "não há dono na escola pública".

Comparem-se então com colégios que têm donos. Ainda nesse caso, não se esqueçam de cotejar a comparação com os montantes pagos pelos alunos: talvez se verifique a regra universal do mercado: quem pagar mais terá melhor escola.

Mas estes senhores comentam também a ideia de acabar com os chumbos e, falam, pasme-se, em "auto-estima". O fim dos chumbos poderia diminuir a auto-estima dos alunos. Ora, o problema do chumbo é que ele destrói a auto-estima dos alunos mais fracos. A ideia de que um aluno está na escola para passar de ano é uma perspectiva verdadeiramente medíocre pelos seguintes motivos:

- o sistema de ensino aceita mil e uma excepções à regra e, por isso, milhares de alunos passam de ano com notas falsificadas1, isto é, votadas em conselho de turma.

- um aluno pode percorrer todo o ensino básico sem aprender nada de relevante nem de Matemática nem de Inglês pelos critérios vigentes de transição de ano (para citar uma combinação que me parece comum).

Se os desempenhos escolares fossem medidos por padrões assentes nos próprios programas das disciplinas, os alunos trabalhariam para esses níveis de desempenho em Matemática, em Ciências, em História, em Língua Materna ou em Língua Estrangeira. Certificar-se-iam competências e conhecimentos efectivos e não anos de escolaridade. Dizer que alguém hoje tem o 9º ano não significa absolutamente nada, pois pode tê-lo concluído num curso de CEF2 ou pode ter tido notas falsificadas3.

Nuno Crato fala em exigência. Acabar com os chumbos seria diminuir a exigência. Ora no post anterior mostrei como no PISA há alunos noruegueses no 10º ano com o mesmo desempenho de alunos portugueses no 7º. A única diferença é que estes chumbaram 2 ou 3 vezes e aqueles, nunca.

Trata-se de reorganizar o sistema de progressão e de avaliação. Actualmente, temos chumbos e facilitismo. Já mostrei isso. Damos de graça a passagem de ano a alunos que sabemos que já não vão beneficiar nada com a repetição do ano, alterando as classificações artificialmente. Em breve, teremos professores preocupados com o seu próprio desempenho que terão mil e um argumentos válidos para não dar negativas e os chumbos vão desaparecer por inibição.

O problema será sempre o mesmo: o que fazer com as pessoas que estão na escola sem progredir realmente na aprendizagem?

1Notas dadas sem critérios pedagógicos intrínsecos ao programa da disciplina que ou são votadas em conselho de turma ou são concedidas a título gracioso pelo próprio professor. É isto que é o facilitismo a que estamos condenados na escolaridade obrigatória, e não só.

2Cursos que conseguem a façanha espantosa de pôr alunos, que têm problemas de progressão no ensino básico, a concluir o 9º ano em apenas dois anos. Não vejo nenhum problema nisto desde que se especifique do que se trata: um curso profissional. O que me choca é o constante desvirtuamento dos rótulos. Que significa neste contexto "ter o 9º ano"?

3Ver acima.

 

publicado por Redes às 23:24
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Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

Chumbos no Le Monde Diplomatique

 

Felizmente, há quem se preocupe com outros temas pedagógicos que não a avaliação dos professores. No Monde diplomatique, edição portuguesa, Hugo Mendes, escreve sobre  “A massificação da selectividade: desigualdades escolares em Portugal“ em que toca num tema que constitui uma obsessão minha já de há muito a esta parte – a repetição de ano. Embora a porta de entrada do articulista para o assunto seja sociológica e política e eu tenha dificuldade em aceitar os seus pressupostos, creio que conseguiu analisar muito bem o problema dos chumbos.

A grande questão é a da desigualdade social e da sua relação com a escola. Enfim, aquilo que os marxistas colocam no âmbito da escola como instituição (aparelho, diria Althusser) de reprodução social.

Escreve o autor que “na discussão sobre as desigualdades e a escola”,

“A esquerda clama pela igualdade de resultados e a integração de todos os alunos; a direita defende uma selecção capaz de produzir elites e de formar mão-de-obra para uma economia assente na especialização funcional”.

Não consigo colocar o problema nestes termos:

- Reclamar a igualdade de resultados entre todos só pode significar nivelar por baixo e impedir os indivíduos mais talentosos de se distanciarem. Penso que será ocioso, pois se a escola pública não lhes servir, instituições haverá que a substituirão na formação de talentos. Se não significa uma “engenharia social” à maneira do empreendimento do admirável mundo novo de Huxley, embora de cunho igualitário, denota uma estúpida arrogância perante a diversidade natural, que só tem paralelo com a pretensão do socialismo soviético, chinês ou cambodjano de acabar com o mercado.

- A integração de todos os indivíduos parece-me que é um fim inteiramente válido no sentido de proporcionar oportunidades de formação a todas as pessoas, especialmente àquelas de nível socioeconómico mais baixo.

- Quanto às elites, elas aparecerão com a escola ou sem ela. A questão é que serão melhor ou pior educadas. A escola não deve ter a intenção de as formar, mas não deve deixar de promover ao máximo possível os indivíduos nos planos do conhecimento, da cultura e da tecnologia. E este é o único plano em que eu situo a escola: transmissão de conhecimentos, desenvolvimento de capacidades e habilidades intelectuais e físicas, domínio de tecnologias, formação e desenvolvimento do juízo ético e estético, como elementos importantes da cidadania.

- Quanto à mão-de-obra, acho que a escola também não deve ter a intenção de a treinar directamente, mas sim apenas a de criar competências que aumentam o leque de percursos que uma pessoa pode seguir, depois de escolarizada.

Posto isto, concordo com o autor no que respeita à gravidade dos efeitos da pobreza ou das grandes diferenças de rendimento sobre o desempenho escolar e considero que não há recursos a mais no combate a estas dificuldades e na defesa da igualdade de oportunidades.

É aqui que entra a repetição de ano: muitos alunos, especialmente os dos estratos mais desfavorecidos da população, soçobram no percurso escolar. O autor diz que

“A retenção acabou por ser a forma encontrada pelo sistema para gerir o aumento da tensão, que advém do facto da selecção passar a ser feita no seu interior e não às suas portas”

Ora isto parece ser uma leitura histórica inexacta, pois o chumbo, chamem-lhe o que quiserem, sempre foi um meio de selecção escolar. E o abandono escolar teve sempre uma estreita relação com ele. Dos chumbos dos seus filhos, concluíam os pais que não davam para a escola e iam trabalhar muito cedo. Muito pelo contrário, os chumbos têm diminuído, mas continuam a apoquentar muito, precisamente porque a maior parte das suas vítimas permanece na escola. Contudo, a nossa maior preocupação continua a ser o número dos que vão embora antes de tempo.

Quer se queira quer não, a verdade é que o chumbo é uma receita pedagógica. Não se chumba naturalmente, mas porque se definem níveis de desempenho médios que já se sabe que muitos não conseguirão atingir no tempo que lhes é concedido. Se se definissem níveis mais baixos, talvez todos os conseguissem realizar. O problema é que, nesse caso, a maioria sentiria que não estava a fazer nada na escola. Inversamente, era possível definir metas que só 25% dos alunos realizaria e todos os outros seriam chumbados. Mas isso descontentaria a maioria. Por aqui se vê quão artificial é o chumbo e quão arbitrários são os critérios que o definem.

A análise do PISA, apresentada por Hugo Mendes, mostra com toda a clareza, em que difere Portugal dos países do pelotão da frente, neste âmbito. Os alunos são seleccionados para o PISA de acordo com o critério da idade. No teste dedicado aos alunos de 15 anos, Portugal é o segundo país da OCDE com maior diferença de graus de escolaridade na população sujeita a exame, pois apenas cerca de 50% se encontra no nível correspondente à idade: 10º ano.

A análise do desempenho nos testes revela outro facto muitíssimo relevante: a maior parte dos alunos com baixo desempenho nos testes encontra-se no ano correspondente a um percurso sem repetições, ao passo que uma grande parte dos portugueses na mesma situação se encontram em anos anteriores. Assim, os alunos portugueses com 329 no teste de Ciências – uma pontuação baixa, pois os melhores tinham mais de 600 - diferem dos noruegueses no facto de a maioria destes se encontrar no 10º ano, enquanto os nossos estavam no 7º ou no 8º.

A conclusão a tirar daqui é que a retenção não é utilizada como recurso pedagógico na Noruega, nem na extensão, nem nas mesmas situações que em Portugal. Como verificamos que os noruegueses têm melhores resultados que nós nos testes, podemos concluir que a retenção não ajudou em nada os alunos a terem um melhor desempenho.

Acho que serão raros os casos em que um aluno melhora com a repetição de ano. O abalo motivacional por ser assim seleccionado negativamente é evidente. Muitos alunos vêm para a escola aprender que não são capazes, que não aprendem, que a escola não é para eles, que serve só para brincar e se divertirem. Há pais que ajudam dizendo expressamente aos filhos que vão para a escola porque são obrigados, senão iriam trabalhar. A probabilidade de actos de indisciplina aumenta extraordinariamente entre os alunos com histórias de repetição sucessiva.

A integração de alunos mais velhos já desmotivados em turmas de alunos com dois ou mesmo três anos a menos é uma provável fonte de problemas. Muitos são professores de mau comportamento e de desvalorização dos saberes e das actividades da escola. É evidente que um aluno que fracassa tem processos de afirmação pessoal que resultam da desvalorização das situações em que não é bem classificado. A sua superioridade física, com dois anos de idade a mais, constitui um recurso para se valorizarem no âmbito do estatuto sexual e da identificação. Por vezes, vejo alunos de bom desempenho escolar a mimarem, por vezes, desajeitadamente, certas atitudes dos mais velhos. É evidente: ninguém quer passar por betinho.

Contudo, mesmo os alunos que têm um historial de repetições e de classificações baixas, aprenderam muito na escola: quase todos sabem ler e escrever, embora não cumpram as regras de correcção ortográfica e os seus desempenhos na leitura sejam medíocres. Mas tudo isso é passível de desenvolvimento durante os anos de crescimento que ainda têm pela frente.

Dadas as desvantagens evidentes, não se entende por que continuamos a reter alunos.

Acho que o fazemos principalmente por haver, senão leis, pelo menos portarias do Ministério da Educação que definem regras de transição de ano e de condições de retenção. Na maior parte das escolas do ensino básico, se um aluno tem nível 2 a Língua Portuguesa e a Matemática ou a 3 quaisquer outras disciplinas, fica retido, isto é, repete o ano.

É absurdo que a Sra. Ministra acuse os professores de chumbar os alunos em demasia, como se houvesse aqui uma medida exacta que não devesse ser ultrapassada. Se há condições de retenção, há chumbos. É também abusivo considerar uma eventual descida no número de reprovações como um melhoramento do aproveitamento resultante da política educativa. Na verdade, o governo está a desincentivar as reprovações e as negativas, apresentando-as como sintoma de mau trabalho docente. O resultado é o melhoramento dos números sem contrapartida evidente nas aprendizagens. Isto é: está a pôr de lado a reprovação sem mudar abertamente os procedimentos, atirando para os ombros dos professores responsabilidades que não são deles, mas sim do governo.

Verificando-se a inadequação da dita “retenção” o que há a fazer é mudar a lei e criar outros critérios de excelência e medidas de progresso nas aprendizagens para valorizar o mérito e permitir a organização do processo e dos percursos de ensino e aprendizagem. Nesse caso, importa transferir as perspectivas da população da “passagem de ano”, para outros indicadores do desempenho dos alunos.

Julgo que os alunos noruegueses que chegam ao 10º ano sabem se têm condições para prosseguir estudos superiores ou se é melhor seguir uma via profissional, mesmo aqueles que têm desempenhos equivalentes aos seus colegas portugueses do 7º ano de escolaridade.

O terreno inquinado do populismo pedagógico a respeito do facilitismo está instalado tanto a nível ministerial como ao nível das escolas. A ministra não respondeu claramente aos críticos dizendo que sabia que os números não equivaliam a mais aprendizagens, mas que a diminuição do número de reprovações era uma coisa boa porque as reprovações não adiantam nada. Pelo contrário, respondeu nos mesmos termos, contestando a crítica, advogando a milagrosa eficácia imediata das medidas que tomou.

Nas escolas, o discurso da autonomia pedagógica resulta nisto: continua o mesmo jogo de manipulação dos níveis atribuídos pelos professores. Milhares de notas são votadas, para que os alunos passem de ano, apenas com argumentos extrínsecos. É verdadeiramente maquiavélico que às crianças seja dado o objectivo de “passar de ano”, que sejam difundidas regras de passagem de ano e que, no final do ano, sejam modificadas notas para que alunos que não conseguiram transitar, sejam passados.

Os conselhos executivos exigem a votação de notas apenas para que um dado aluno possa ir para um curso CEF ou para que um dado aluno não caia na marginalidade ou por se crer a reprovação repetida, inútil para um dado aluno. Ora, se estes são argumentos suficientes para justificar a passagem de ano porque não são explicitados e se mantém os níveis atribuídos pelos professores. Se nos pusermos do lado dos alunos e pensarmos nas notas como uma mensagem, pensem no que eles poderão julgar ao ver a pauta com as notas dos seus colegas alteradas, eles que sabem muito bem o que esses felizardos fizeram durante o ano. Um aluno, que viu quatro dos seus colegas com as notas modificadas a transitar de ano, está ressentido com um certo professor por ter chumbado. Tem toda a razão. Com a facilidade com que os níveis são modificados, é evidente que um dos seus também poderia ter tido a mesma sorte.

A filosofia actual a respeito da avaliação dos alunos redunda, em muitas escolas, no seguinte: se um aluno tem menos de quinze anos, deixá-lo reprovar, mas no devido tempo, transitá-lo para ir para o CEF. Primeiro, desperdício, desmotivação e chumbos, depois… CEF.

publicado por Redes às 04:39
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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

História da educação

Pedagogia por objectivos, construtivismo, aprendizagem cooperativa, etc., - será que desta lista de coisas poderemos um dia dizer o que Nietsche certa vez escreveu a propósito da crítica literária? Ora veja:

"Os homens falam um pouco de uma nova coisa, e depois de outra coisa nova e entretanto continuam a fazer o que sempre fizeram". (Nietzsche, Acerca das vanatagens e das desvantagens da história para a vida).

Pode crer que é uma pergunta verdadeira, sincera, sem pingo de retórica. Se tem uma novidade recente que o encanta, deixe-a para a conversa do café e, quanto à aula, tudo bem, como dantes!

publicado por Redes às 18:23
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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Orientação sexual e casamento

Assembleia da República, Segunda-feira, 2 de Setembro de 2030.

Documento distribuído aos senhores deputados:

 

Registo de casamento:

Instruções:

Leia o impresso com a máxima atenção.

Para seleccionar o tipo de casamento, basta seleccionar as opções adequadas na ordem certa:

1. Seleccione se o casamento é:

- homossexual

- heterossexual

- misto (bissexual só para um, para dois ou mais parceiros, ou, terceira opção, para todos)

2. Seleccione o tipo de agrupamento predefinido ou faça a sua própria caracterização:

- monogâmico

- bigâmico

- poligâmico

- poliândrico

- grupos (para qualquer dúvida consulte a Sociedade Antiga de Morgan ou a Origem da Família da Propriedade Privada e do Estado de Engels).

 

Deputado Dimitri da Silva, da Acção Libertária:

- Pois, senhores deputados, como podem ver no impresso distribuído, o nosso Registo Civil, exige a todo o cidadão uma ignominiosa e inconstitucional declaração de orientação sexual no acto de casamento proporcionando todo o tipo de abusos, agressões homofóbicas ou de menorização cultural de cidadãos adeptos da poligamia.

 

Deputado Abdul Barreto, Irmãos na Causa:

- Esse problema resolver-se-ia com uma declaração secreta depositada numa base notarial pelos nubentes em como se comprometiam a não casar com mais ninguém, independente do sexo. Assim, todos os casamentos seriam poligâmicos por defeito e não seria necessário declará-lo. Só o contrário se afixaria na referida declaração privada. Se fosse homossexual, sê-lo-ia pela natureza dos parceiros que assim se comprometem no acto. Assim se protegeria a minha comunidade contra as vergonhosas declarações que teriam que fazer só para declarar que as rejeitam. Se fosse por grupos, quer de levirato, quer de sororato ou de outras variantes, idem. Tenho dito.

 

A assembleia agita-se. Generaliza-se a conversa. O presidente ordena silêncio e ordem.

publicado por Redes às 01:43
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