Domingo, 31 de Julho de 2011

De novo: outros predicativos do sujeito?

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Continuo com o tema do post anterior.

 

  1. O João chegou mais gordo .
  2. O Pedro saiu zangado .
  3. A Maria chegou triste .
  4. O António nasceu português .
  5. Ele começou o trabalho muito contente .

Parece-me que os modificadores do verbo acima assinalados comportam-se da mesma maneira que os casos típicos de predicativos do sujeito:

- predicam algo acerca do sujeito.

- ligam-se ao sujeito por um verbo.

Reconhecendo esse fato, não poderíamos admitir uma classe de verbos que permite modificadores que se reportam ao sujeito? Assim o predicativo do sujeito tanto poderia ser um complemento, no caso de verbos copulativos como um modificador no caso de outros verbos.

Acontece algo similar com grupos adverbiais e preposicionais que se comportam ora como modificadores ora como complementos. Os grupos adjetivais não aparecem no Dicionário Terminológico como modificadores do verbo, motivo pelo qual ficamos com aqueles casos em terra de ninguém.

Podemos averiguar se se trata realmente de adjectivos com função adverbial, substituindo-os por advérbios que tenham o mesmo sentido. Ao tentar fazê-lo, verificamos que não conseguimos encontrar advérbios aceitáveis (talvez só "tristemente"). É que não há de facto uma maneira gorda de chegar ou um modo português de nascer. O que me parece é que co-ocorrem na frase o estado expresso pelo adjectivo e o evento expresso pelo verbo.

O sentido das 5 frases poderia ser assim parafraseado:

  1. Quando o João chegou, estava mais gordo .
  2. Quando o Pedro saiu, estava zangado .
  3. Quando a Maria chegou, estava triste .
  4. Quando nasceu, o António era português .
  5. Quando começou o trabalho, ele estava muito contente .

Estas construções com subordinadas são de facto dispensáveis porque, aos verbos em causa, basta acrescentar os grupos adjectivais.

publicado por Redes às 02:13
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Terça-feira, 19 de Julho de 2011

Predicativo do sujeito

É perturbante que o dicionário terminológico, que eu considero um bom instrumento de trabalho, não responda eficazmente a algumas dúvidas elementares colocadas pelas suas definições. O caso que tenho entre mãos é o "predicativo do sujeito" que é assim definido:

"Função sintáctica desempenhada pelo constituinte que ocorre em frases com verbos copulativos, que predica algo acerca do sujeito."

A definição de verbos copulativos é lamentavelmente circular, isto é, leva-nos de novo à entrada de "predicativo do sujeito", facto que foi devidamente assinalado no momento da discussão da Tlebs.

"Verbo que ocorre numa frase em que existe um constituinte com a função sintáctica de sujeito e outro com a função sintáctica de predicativo do sujeito."

Como são interdependentes, ficamos sem saber o que é um e o que é o outro.

É neste enredado que aparecem as dúvidas. No Guião de Implementação do Programa de Conhecimento Explícito da Língua, aparecem, numa das actividades propostas para o assunto do predicativo do sujeito, as seguintes frases:

  • O Pedro saiu zangado.
  • A Maria chegou triste.
  • O António nasceu português.

São frases cujos predicados eram designados por verbo-nominais por conterem também um predicativo do sujeito. Veja um exemplo desta classificação numa entrada da Wikipedia: Predicado (gramática).

Ora, no dicionário não aparece nenhuma solução para designar correctamente a função sintática dos constituintes sublinhados nas frases acima. Como vimos, a classificação de predicativo contradiz as definições do dicionário, pois os verbos das três frases não são copulativos.

Não obtenho uma resposta assertiva e clara por parte dos autores do dicionário: qual é a função sintáctica desses adjectivos.

A minha resposta é: predicativo do sujeito! Mas fico perturbado com a contradição com o dicionário e com a consistência da actividade do GIP que foi precisamente buscar estes casos para mostrar ao aluno que estas frases não têm predicativo do sujeito, pois os grupos adjectivais podem ser excluídos sem que a frase fique agramatical.

publicado por Redes às 17:54
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2011

Ai! Que moodys!

 

(Imagem extraída de goldenbroker.com)

 

Os ratings das agências financeiras estão a pôr em causa o orgulho nacional dos cidadãos dos países que descem na escala que classifica a sua dívida. Como se pode ver, os EUA e o seu presidente não escapam a esta mágoa.

Dívida dos EUA: chegou a «altura de decidir» | agência financeira

Vale a pena pensar um pouco sobre o valor destas classificações. No caso em apreço, o que a Standard & Poors está a fazer é apenas a pressionar os republicanos para se entenderem com os democratas. Eles só se importam com a sáude financeira do Estado no sentido em que a dívida mantenha o mesmo grau de segurança para os investidores. Se os EUA entrarem em incumprimento, os títulos de dívida serão menos atractivos. A Standard & Poors recebe dinheiro do governo para lhe dar essa classificação, mas se ela for menos credível, os investidores olharão para as notas dadas por outras agências. Por isso, todas se adiantam com novas classificações, logo o cenário político e financeiro mude.

O que está aqui em jogo é um negócio com a credibilidade dos que se endividam, no que respeita aos países.

Deve o nosso orgulho nacional ficar magoado, humilhado, decepcionado, por causa disso?

Connosco, aconteceu tudo muito rápido. No princípio deste ano, ainda estávamos no A3, embora já longe do AAA dos países do pelotão da frente da Europa. Quando a Moodys mudou o nosso "rating" para perto de lixo, os nossos pastéis de Belém, o sol, o mar e a areia das nossas praias, as nossas empresas de alta tecnologia e a nossa magnífica culinária continuaram tão boas como antes. O que aconteceu foi apenas que a nossa capacidade de endividamento diminuiu, coisa para que, há muito, nos alerta, a nossa Cassandra de serviço que é o Professor Medina Carreira.

Ora na justificação da nota, a Moodys diz o que o Bloco de Esquerda pede: que existe o perigo de restruturação da dívida.

publicado por Redes às 15:52
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Domingo, 10 de Julho de 2011

Paz laboral

                     Extraído de Instituto de Gestão do Crédito Público, Economic Outlook and Debt Management Strategy, Janeiro de 2011, p. 12.

 

De acordo com a publicação acima referida, Portugal é um dos países com menos dias de trabalho perdidos por causa das greves, no periodo entre 2000 e 2007. Há pois mais retórica nas lutas sindicais do que acção propriamente dita. Anunciam-se greves, sindicatos e patrões digladiam-se nas contas e o resultado é apenas este: cerca de 25 dias de faltas grevistas por cada mil trabalhadores!

publicado por Redes às 17:19
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