Quinta-feira, 19 de Abril de 2012

Da escola e das comunidades de aprendizagem.

A leitura de uma apresentação feita por José Luís Almeida sobre o futuro da escola, motivou-me os seguintes comentários que não são argumentação contra as teses apresentadas, mas simplesmente, uma expressão da minha opinião sobre os tópicos apresentados. Basicamente, defendo que a escola não irá operar uma mudança de 180º, isto é, nada justifica uma revolução pedagógica atualmente, embora a escola se modernize e adeque aos novos recursos e modos de vida representados pela revolução digital, eletrónica e virtual.

 

1. A dificuldade de acesso a recursos de aprendizagem tem a ver apenas com o lugar e o tempo, já que há uma enorme quantidade de recursos didáticos, científicos, culturais, técnicos (do género “How to do”) e informativos de acesso praticamente gratuito, seja para aprender línguas, a cozinhar, a programar computadores, redes e telemóveis. Para estudar e ler sobre quase todos os tópicos culturais e científicos, a quantidade de informação, de redes e de fóruns de comunidades online é gigantesca.

Desde a década de 70, que se fala na “lifelong education” – educação ao longo da vida . As novas tecnologias apenas tornam mais efetiva a possibilidade de as pessoas se auto-formarem.

 

2. Embora haja competências ditas transversais que o ensino escolar tradicional tem descurado, tem-se verificado a confirmação da importância e valor das competências escolares tradicionais que constituem a chave de acesso, o mapa do conhecimento humano que permite às pessoas se desenvolverem. Falamos de leitura, escrita, língua estrangeira, história e geografia (do seu país e do mundo), trabalho com números e padrões (aritmética e matemática). Além disso, a escola desenvolve competências expressivas, artísticas e físicas. Desenvolve também conhecimento científico e tecnológico.

 

3. Além disso, tem sido contestada ultimamente a tese de que se podem aprender técnicas de aprendizagem num vazio de conteúdos. Isto é, já não podemos dizer que o que se aprende pouco importa, o que interessa é “aprender a aprender”. Muito pelo contrário, as técnicas do aprender só fazem sentido em objetos de aprendizagem. De fato, conseguimos aprender mais porque já temos um mapa, uma base, que podemos completar e desenvolver, seja em que domínio que for. Muitas das competências tradicionais escolares são mesmo meios de acesso ao conhecimento, nomeadamente, a leitura, a escrita, as línguas e a matemática.

 

4. Com a rádio e a televisão criaram-se também ilusões a respeito da possibilidade de os professores serem dispensáveis, pois os conteúdos de aprendizagem poderiam ser difundidos. Verificou-se que os meios audiovisuais de ensino, não obstante experiências interessantes como a telescola, não se tornaram a regra e a escola tradicional manteve-se de pedra e cal.

 

5. Os conteúdos sempre estiveram acessíveis em bibliotecas públicas, em programas gravados e em diretos da rádio e da televisão, agora em formatos interativos e multimédia online, mas a sua aprendizagem nunca dispensou a mediação dos professores. A escola cria o ambiente necessário a que o indivíduo se interesse, se forme e se informe, que crie os hábitos e a disciplina que tornam possíveis essas aprendizagens. Para os adultos, são necessárias também comunidades que deem sentido ao estudo, ao treino e ao exercício. Nessas comunidades tem de haver mediadores, formadores ou professores que têm a autoridade necessária para orientar o trabalho de aprender, premiar o esforço e certificar resultados.

 

6. A escola já é uma comunidade de aprendizagem, mesmo na sua aceção mais tradicional. Não tenho a menor dúvida de que a escola deve utilizar da forma mais produtiva possível todos os recursos que a internet e as novas tecnologias permitem, mas não deve fugir da sua tarefa nuclear.

publicado por Redes às 01:04
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Domingo, 15 de Abril de 2012

Para que servem os chumbos?

Paulo Santiago um especialista da OCDE, veio criticar o nosso sistema de avaliação por estar demasiado centrado na decisão final que se faz ana a ano. Veio repetir o que já se sabe há muito sobre o "chumbo"

"O chumbo não melhora o aproveitamento do aluno, reduz a sua autoestima, aumenta o abandono escolar e, ao mesmo tempo, gasta recursos"

Parece que o nosso ministro da educação ignora este fato. Mas, quando as estatísticas de abandono escolar aumentarem por causa da "exigência" na avaliação dita "sumativa", ele mudará de opinião e de discurso.

Paulo Santiago volta ao exemplo finlandês:

"Tem de ser montado um sistema de ajuda aos alunos que têm mais dificuldades de aprendizagem, como na Finlândia, e introduzir técnicas próprias nas escolas para dar o apoio necessário a que esses alunos possam progredir de forma satisfatória."

É verdade que os alunos filandeses com fraco desempenho, ao contrário do que acontece em Portugal, não chumbam. São lhes dadas outras oportunidades de aprender mais devagar, assegurando aprendizaens essenciais, sem que tenham de "chumbar", que é uma medida cara para o Estado e que não tem resultados condizentes com o seu custo.


 

Veja a referida opinião no Educare

publicado por Redes às 22:24
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