Sexta-feira, 22 de Março de 2013

O valor do conhecimento científico na educação

Creio que a verdade científica é o que mais importa nos conteúdos ensinados
na escola. Quando digo ciência quero dizer também rigor. A história não é
uma ciência, mas é um estudo que se baseia numa base documental e em
métodos sujeitos a discussão entre os especialistas. O professor de
história, embora seja bombardeado por discursos ideológicos e políticos a
requerer certas linhas de orientação à narrativa histórica, tem de ter a
coragem de procurar a verdade e vencer os preconceitos que nos impedem de
chegar a ela.
O facto da narrativa histórica assim como as teorias científicas estarem
sempre a mudar deve-nos levar a desvalorizar a ciência e a história que
ensinamos? Fazê-las equivaler aos mitos antigos, por exemplo, ou aos
conhecimentos da tradição oral?
A mudança nas teorias científicas é o que é mais desejado pelos
cientistas. Há sempre algum facto que escapa a uma teoria e o avanço faz-se
sempre por refutação por uma hipótese capaz de integrar factos
anteriormente inexplicados.
Por exemplo, verificou-se que a velocidade da luz não dependia do sistema
galilaico de referência, antes pelo contrário mantinha-se constante. A
velocidade dum foco de luz no interior duma carruagem de comboio devia ser
maior se considerada relativamente a quem estivesse no exterior. Seria a
luz um fenómeno específico que precisaria de uma teoria especial da
mecânica? A teoria da relatividade veio integrar na mecânica todos os
fenómenos verificados anteriormente, incluindo a luz.
A característica mais saliente desta continua mudança na verdade científica
é que ela se constitui como progresso e é desejada pelos intervenientes ao
contrário do que acontece, por exemplo, no discurso religioso.
Temos de continuar a ensinar a mecânica que herdámos de Galileu e de
Newton, pois continua a ser válida para muitos aspectos práticos da vida -
por exemplo, para calcular a velocidade de uma nave espacial a caminho de
Marte.
Os professores de ciências têm adequado o teor do seu ensino ao avanço da
ciência, na medida em que as cautelas pedagógicas o permitem. Por exemplo,
já não ensinam que há três estados da matéria. Contudo, apesar da
classificação ter mudado, aperfeiçoando esse cohecimento, a distinção entre
sólido, líquido e gasoso não passou a ser uma falsidade inútil.
A verdade científica é apenas o que podemos comprovar com experiências e
evidências sujeitas a discussão e crítica constantes.
Os que acham que a ciência tem pouco valor na educação por estar sempre a
mudar as suas verdades estão equivocados a respeito do discurso científico.
São os discursos que não mudam que devem ser severamente escrutinados a
respeito do seu valor, assim como os que estão sempre a mudar em função dos
caprichos da moda, por exemplo.
A ciência e a tecnologia são nucleares no mundo de hoje. A descoberta do
vírus da sida e das variantes da gripe que nos têm acometido provam a
necessidade do cidadão conhecer não só a visão que a ciência nos dá do
mundo, mas também do modo como a ciência e a tecnologia prosseguem. Um dos
problemas que um iluminista como eu reconhece é a distância que aumenta
constantemente entre o conhecimento do cidadão e os dispositivos
tecnológicos que utiliza no seu dia a dia. Antes qualquer curioso abria um
automóvel e identificava as peças e reconhecia os problemas de
funcionamento. Hoje em dia, está tudo blindado ao conhecimento dos
profanos. Um telemóvel é um objecto mágico. Creio que a educação tem que
fazer alguma coisa sobre este assunto.
(Não respeito o acordo ortográfico por causa da ignorância do meu
telemóvel).
publicado por Redes às 12:37
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