Terça-feira, 2 de Novembro de 2004

O problema de Deus - a revelação (1)

A elevação deste problema e a inteligência dos que já trataram dele deviam ser suficientes para me calar. Mas, tal e qual como Adão que não cedeu à atracção do fruto do conhecimento do que é bom e do que é mau, também eu não consigo deixar de tornar públicas as minhas inquietações.

Deus é um problema demasiado extenso para ser tratado duma só vez. Distingo à primeira vista vários aspectos:


- O que é Deus (qual a sua consistência, forma, matéria, função, etc.)

- A Sua existência (isto é, uma vez sabendo o que é, podemos discutir se existe ou não)

- Quais são as suas manifestações (isto é, como é que ele comunica connosco, qual a relevância da sua existência)

Estes aspectos apesar de interdependentes, são distintos. Frequentemente, inverte-se a hierarquia destas questões.

Por exemplo, quanto ao primeiro aspecto, eu sei como era Pégaso: era um cavalo com asas que voava e pertencia a Hércules. Se aparecesse aqui um cavalo com asas, eu diria "cá está, um cavalo da espécie de Pégaso". Imagino como seria tal criatura em muitos aspectos: pelagem, crina, rabo, asas. Até me imagino a fazer-lhe festas!
Contudo, acharia extraordinário que tal coisa me aparecesse viva, pois não tenho notícia nem experiência da sua existência fora dos mitos e das histórias a que pertence.
Isso mostra que podemos saber como uma coisa é e aceitar a sua não existência, pelo menos até prova em contrário.

E agora, a respeito de Deus, será que podemos saber o que é, imaginá-lo, antes de questionar se existe ou não? Não se trata de uma questão retórica. Talvez alguns nos digam que sim

São muitos os que dizem ter visto a Nossa Senhora, aquela que é dita mãe de Deus, aparecer. Supostamente, tais pessoas deveriam saber o que era a Nossa Senhora da mesma maneira que eu sei o que é um cavalo alado, de tal maneira que quando ela lhes apareceu terão dito, com toda a naturalidade: "olha, lá está ela a Nossa Senhora!"
Ou será que tê-la-ão conhecido a partir da sua aparição?

Aqui vem o terceiro aspecto que é o da relação de Deus connosco, o problema das suas manifestações. Aí temos a questão da revelação. A alguns dá Deus o privilégio de se revelar. Pessoas como Adão, Eva, Caim, Abraão, Jacó, Moisés, Elias, Isaías, Jesus, São Paulo, São João e os pastorinhos de Fátima tiveram um contacto directo que serve de testemunho para todos os outros. Até ao descrente do S. Tomé foi dado esse privilégio de um encontro imediato.
Todos os outros têm que se contentar com inúmeras mediações, entre narrações e narrações de narrações. Maior que o mistério da Revelação só o da Fé. E pos aqui me fico com a consciência de não ter acrescentado nada ao que já foi dito por muitos outros, entre os quais Espinosa, no século XVII.
publicado por Redes às 23:56
link do post | comentar | favorito
|
1 comentário:
De frangipani a 4 de Novembro de 2004 às 19:00
"Todos os outros têm que se contentar com inúmeras mediações, entre narrações e narrações de narrações" E aqui está tudo dito. É que "todos" significa literalmente todos.


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Novembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
25

26
27
28
29
30


.posts recentes

. "Tablets" e computadores ...

. Desventuras de Maria do C...

. A revolução russa vista p...

. Processos de transformaçã...

. "Colectivos" - o partido ...

. Nicolás Maduro defendido ...

. Avaliação da Homeopatia

. Deve o exame condicionar ...

. Bloomberg desvaloriza efe...

. Tratados ortográficos int...

.Blogs das minhas desoras

.Extreme Tracking

eXTReMe Tracker

.Wikipédia

Support Wikipedia

.arquivos

. Novembro 2017

. Julho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Julho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Maio 2015

. Março 2015

. Janeiro 2015

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Outubro 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Outubro 2007

. Junho 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

blogs SAPO