Sábado, 5 de Novembro de 2011

Relocalização

Operário americano da Master Lock

(in http://www.uaw.org/articles/some-jobs-finally-return-master-lock)

Há várias empresas americanas a abandonar a China para voltar a produzir nos Estados Unidos Eis um exemplo: Some jobs finally return at Master Lock. Não pensem que se trata de um caso singular. O título do artigo do Expresso em que me baseio é sugestivo: "China devolve 3 milhões de empregos aos EUA".

Este movimento teria que acontecer num momento ou noutro. A economia tem muito a ver com os vasos comunicantes. Se os salários chineses sobem, as vantagens competitivas perdem-se, pois há muitos outros custos que penalizam as exportações chinesas: tarifas alfandegárias, transporte, etc.

Mas há um fator que não é tido em conta no artigo que li hoje no Expresso, Economia sobre este assunto. Se o destino dos produtos que marcas americanas produzem na China é o mercado americano, os americanos têm que ter rendimentos para serem esse mercado. Se estão no desemprego, têm menor poder de compra.

À medida que sobem os salários chineses, diminuem os americanos - os vasos comunicantes de que falei atrás. Assim, a Ford paga o trabalho a 14 dólares à hora, menos 10 dólares do que há cinco anos atrás. Acrescenta-se que a descida salarial americana não tem que chegar ao nível salarial chinês, pela simples razão de os americanos serem muito mais produtivos - diz um fabricante de cadeados que os americanos produzem 30 vezes mais cadeados. A diminuição do nível de vida não segue na mesma proporção, pois os preços também se mantém baixos, ou diminuem numa economia baseada na livre concorrência.

Creio que a crise europeia é uma peça neste reajustamento entre as economias emergentes e as economias desenvolvidas do velho e do novo mundo: "Eles sobem, nós descemos".

publicado por Redes às 18:56
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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011

Krugman sobre os protestos de Wall Street

Agrada-me ver Paul Krugman a fazer o contraponto entre o Tea Party e o Occupy Wall Street nas páginas do New York Times (http://www.nytimes.com/2011/10/10/opinion/panic-of-the-plutocrats.html?_r=1&WT.mc_id=NYT-E-I-NYT-E-AT-1012-L23). Mostra como as críticas endereçadas por gente da área dos republicanos aos protestos de Wall Streeet baseia-se nos interesses de uma ínfima parte da população. Trata-se de facto de "plutocratas em pânico". Pelo contrário, os acontecimentos relacionados com o Tea Party tiveram aspectos de desordem e violência maiores do que o Occupy... onde Krugman assinala alguma sobrerreacção policial.

Que temem então os mais ricos de entre os ricos? Que algumas das reivindicações dos revoltados façam o seu caminho. Hiperreagiram, por exemplo, quando lhes foi exigido pela "Volcker rule" que os bancos que beneficiassem de garantias do estado não pudessem envolver-se em actividades especulativas de alto risco.

Krugman mostra muito clareza na distinção que faz entre os que enriquecem na actividade económica e na inovação tecnológica como Steve Jobs e os que vivem de esquemas financeiros altamente complexos que têm apenas como fim captar fluxos de capital para as suas contas sem benefícios para mais ninguém a não ser eles próprios. Ora, é esta gente de Wall Street que consegue, apesar da sua imensa riqueza, pagar menos impostos do que profissionais da classe média e que se encontra em pânico com os indignados que gritam à sua volta.

Não há dúvida que a relação entre a economia real e a actividade financeira ganhou uma grande atualidade. É bom lermos uma voz autorizada como a de Krugman a nos dizer isto mesmo para nos podermos rir dos banqueiros que querem dar lições de moral aos seus concidadãos como se as fontes da sua riqueza estivesse ao abrigo de qualquer reparo.

publicado por Redes às 17:28
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Sábado, 13 de Agosto de 2011

Rebeldes, revolucionários ou ladrões?

 

São simplesmente ladrões ou realmente revolucionários ou rebeldes?

Habituámo-nos a ver em protestos, por todo o lado, indivíduos de cara tapada que se diferenciam dos vulgares manifestantes pela atitude e determinação na ação que tomam.

Alguns são profissionais dos movimentos anti-globalização ou anti-capitalistas que se deslocam de evento em evento, para se misturarem com os manifestantes locais e partir a loiça toda.

Nos recentes acontecimentos na Inglaterra terá acontecido isso?

A verdade é que houve protestos e grandes manifestações contra a política de cortes na despesa pública do governo conservador.

Sabe-se que esses cortes atingiram gravemente a juventude da periferia. Muita da acção violenta parece constituir inquestionavelmente uma revolta de jovens que não têm qualquer solução que os integre no sistema económico e social. Não têm, contudo, nenhum movimento político que lhes dê cobertura e que os oriente numa perspectiva integrada de luta política e social. Na verdade, tudo o que fazem não serve para atrair outros para a sua causa.

Foi então uma explosão social sem controlo?

Na imprensa, nota-se uma tendência para associar estes jovens desordeiros com um genérico anarquismo.

Mas aqueles que se auto-consideram "anarquistas" rejeitam completamente esta responsabilidade. Por exemplo, a Anarchist Federation repudia qualquer opção violenta na luta contra os cortes nas despesas sociais do governo conservador. Pois apenas aceita grandes ações de massas com vista à conquista da opinião pública num movimento contra o governo e não ataques a pessoas e propriedades (cf. Freedom online), mas acusam os trotsquistas e marxistas de se fazerem passar por anarquistas e se infiltrarem nos seus movimentos. O Socialist Party, partido de esquerda de orientação trotsquista, também repudia a ação dos "rioters, looters e arsonists", isto é os que atacam roubam e incendeiam, mas analisam sociologicamente o evento e apontam os dedos às políticas de direita, liberais e capitalistas que levaram os jovens a cometer esses crimes, ao deixá-los sem emprego, sem apoios e sem qualquer orientação social. Reconhecem a falta de consciência de pertença à classe trabalhadora que os leva a essas atitudes (cf. Con-dems to-blame for anger of youth mass trade union led workers response needed).

Contudo, há grupos anarquistas e marxistas que optam claramente pela violência como forma de ação. Muitos serão os tais que vão de cimeira em cimeira internacional manifestar-se violentamente contra a globalização. Num blogue, por exemplo, encontro uma descrição na primeira pessoa de um ataque a uma esquadra em Birmingham (Attack on Bristol police claimed by anarchists).

Portanto, há com certeza, líderes com uma orientação anarquista violenta que organizam os eventos através de telemóvel, de onde a referência a Blackberries. Atcam lojas, pessoas que consideram bem instaladas no sistema que criticam e, especialmente, organizações conotadas com o capitalismo - veja-se o ataque por 1000 activistas contra a Fortnum & Mason).

Há, pois, um discurso anti-capitalista de fundo nos motivos dos "rioters" ingleses. A essas ações junta-se o puro roubo de bens, o saque das lojas que aproveitam diretamente a quem os faz. Essa imagem domina e torna politicamente irrelevante no sentido em que não conduz a uma opção consistente de uma esquerda revolucionária.

Os comentadores de direita acusam o longo periodo trabalhista como o responsável por esta vaga de jovens dependentes da segurança social, formados numa escola inútil que não lhes deu qualquer perspectiva de futuro.

Os comentadores de esquerda acusam as políticas neo-liberais como causadoras desta revolta.

O Economist, num registo áudio na sua página conclui que, com estes acontecimentos, são as ideias mais conservadoras a propósito da segurança e dos apoios sociais que vencem (Anarchy in the UK).

A crise económica e social na Europa está a ser demasiado cara para os mais fragilizados socialmente. Há que procurar um equilíbrio entre apoios sociais e responsabilidade individual. Que a hora agora é de repressão, não há a menor dúvida. Mas depois há que equacionar tudo. Os trabalhistas ou outros no seu lugar terão que fazer a sua parte na ação política contra o governo conservador e ocupar o lugar desse discurso anti- que não leva a lado nenhum.

publicado por Redes às 23:21
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Sábado, 8 de Janeiro de 2011

Quem compra a nossa dívida?

É uma conversa muito interessante no bolsa na bolsa ponto come (Veja aqui).

 

Francisco Louçã acusa os bancos portugueses de estarem a financiar-se no BCE a 1% para emprestarem ao Estado a 7%. Portanto, nós estamos a dar-lhes 6%. E isso é um grande problema para Louçã. Contudo, os bancos ao comprarem a nossa dívida estão a prestar um serviço à Nação. Eles podem comprar dívida alemã que dá menos juros, mas é mais segura, ou a grega que dá mais rendimento mas é ainda menos segura.

Será que podemos acusá-los de nos estarem a roubar? Isto é de facto um negócio dos diabos. Os governos não podem financiar-se directamente no BCE. Na verdade, eles devem financiar-se com os impostos dos seus cidadãos. Quando pedem empréstimos, é porque estão a gastar demais. Quem está mal não é quem empresta mas quem pede.

Os juros estão altos? Ora um dos factores que os fazem altos é precisamente o facto da estrutura da nossa dívida ser em 75% estrangeira. Assim, poderíamos até acusar os bancos portugueses de não investirem o suficiente no Estado, não fosse o caso de o montante da dívida nacional ser demasiado grande para os nossos bancos e de eles, como quaisquer agentes económicos, também temerem pelo risco de incumprimento.

Quanto mais se investe na dívida, maior a procura, menor o juro. Assim, porque os acusamos? Ficamos contentes por saber que o BCE nos veio comprar dívida, o que faz na intenção de ajudar os estados europeus nesta crise.

Quanto a Louçã, paciência, é vítima dum paradoxo da teoria económica marxista. Creio que nunca conseguirão abeirar-se da economia real sem preconceitos. Quando não se limitam a ter um discurso analítico e crítico e querem intervir, não sabem o que dizer e fazer.

publicado por Redes às 02:59
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Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010

Pessimismo, precisa-se!

Gosto deles, do Medina Carreira, a nossa Cassandra, que, infelizmente, tem sempre razão, do Silva Lopes e de outros que conseguem ver o rei nu por debaixo das suas gabarolices.

Ver a realidade pode ser, mais que difícil, verdadeiramente insuportável.

Não sou religioso, mas foi com um fervor desse tipo que ouvi as palavras sábias deste padre.

 

 

 

publicado por Redes às 15:13
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Terça-feira, 11 de Maio de 2010

Wolfgang Münchau

A Europa está só a deitar dinheiro para os problemas. O que vale para o curto prazo. No longo prazo, tudo voltará à mesma, se não houver medidas de fundo que resolvam a insolvência da Grécia, de Portugal e Espanha.

Quem o diz é Wolfgang Münchau, o editor do Financial Times, crítico e cultor de uma alergia a Durão Barroso, "o conservador de um pequeno país".

Veja o texto no Umbigo: O Caos (Mesmo) À Esquina… 2.

Sobre a crítica de Munchau a Barroso: "Durão Barroso é o caniche de Angela Merkel"

publicado por Redes às 17:17
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