Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2015

What Makes Mainstream Media Mainstream

What Makes Mainstream Media Mainstream -  o que Chomsky escreve sobre a estrutura dos órgãos de informação nos Estados Unidos da América que, em sua opinião, trabalham no sentido de criarem o conformismo e perverterem a democracia, com a cumplicidade das corporações e das universidades, tem, como primeira contra-evidência, ele próprio e muitos outros intelectuais de esquerda, críticos exacerbados de tudo o que a América faz, qualquer que seja a administração em causa.

O facto é que muitos deles se mantém de pedra e cal em postos cimeiros, ao que sei, justamente bem pagos, mostrando que é pouco crível que os jornalistas e universitários produtores de informação sejam marionetes nas mãos dessas corporações que ele designa de fascistas, pelo menos na medida em que ele coloca esse orwelianismo.

Embora seja para mim certo que os governos e as sociedades mais abertas do mundo são as que merecem o epíteto de "ocidentais", acho saudável desconfiar dos governos e, dum modo geral de quem quer que tenha poder. Quanto mais poder detém uma pessoa ou uma instituição, mais motivos tem para mentir e para encobrir. Por isso, precisamos de uma informação crítica e investigativa, mas parece-me que não adiantam muito os discursos críticos feitos para justificar uma dado pressuposto político, sem factos e evidências.

Reparem como ele explica a aliança entre os Estados Unidos da América e a Inglaterra na Primeira Grande Guerra como efeito da propaganda inglesa. É como se o mal americano tivesse começado ali, na perspectiva chomskiana.

Quer dizer, o caso era que a informação inglesa apresentava os alemães como os maus e os americanos, esses ingênuos, foram nessa cantiga. Não consigo perceber como é que alguém com um mínimo de cultura histórica pode embarcar numa análise destas. Não se discutem sequer as razões de cada um dos lados, nem se compreende o tipo de aliança que existia entre britânicos e americanos. É como se os alemães fossem pobres vítimas e os grandes culpados fossem os ingleses.

Lembro-me dum episódio que aconteceu neste período. Max Planck assinara um manifesto em que vários intelectuais alemães se tinham solidarizado com o exército do Reich negando as acusações internacionais de violação da neutralidade da Bélgica. Segundo estes, tinham sido os belgas os primeiros a disparar. Em resposta, Einstein participou no lançamento dum contra-manifesto, criticando Planck que era seu amigo.

Para vários dias seus atuais detratores, o império anglo-americano já estava, nesse tempo, no lado do mal, mesmo perante a ameaça do II Reich. Não podemos falar destes acontecimentos sem analisar as motivações de ambos os lados. Se há culpados quem são? Os ingleses que só entraram depois da Áustria invadir a Sérvia e da Alemanha etc, o dominó que todas conhecemos? Os americanos que vieram, ao fim de três anos, socorrer os seus irmãos ingleses?

Quem atacou, primeiro, foram os austríacos e os alemães, não foram? Fizeram mal os ingleses em entrar no conflito após a invasão da Bélgica? Deveriam os americanos continuar de braços cruzados, a ver a Europa desmoronar-se, perante a ameaça dos dois impérios do centro?

Podíamos fazer uma retrospetiva histórica sobre o que seria o mundo se a América se tivesse mantido virgem e não tivesse sido corrompida pela propaganda inglesa. Estaríamos agora num mundo melhor? Teria sido menor a quantidade do sangue derramado?

publicado por Redes às 23:20
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