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Sem Rede

"Sobre aquilo de que não conseguimos falar, é melhor calarmo-nos." (Was sich überhaupt sagen lässt, lässt sich klar sagen; und wovon man nicht sprechen kann, darüber muss man schweigen) - Wittgenstein.

"Sobre aquilo de que não conseguimos falar, é melhor calarmo-nos." (Was sich überhaupt sagen lässt, lässt sich klar sagen; und wovon man nicht sprechen kann, darüber muss man schweigen) - Wittgenstein.

Sem Rede

29
Dez15

O princípio da limpeza étnica: Deuteronómio 20

Redes

Porém, das cidades destas nações, que o Senhor teu Deus te dá em herança, nenhuma coisa que tem fôlego deixarás com vida.
Antes destruí-las-ás totalmente: aos heteus, e aos amorreus, e aos cananeus, e aos perizeus, e aos heveus, e aos jebuseus, como te ordenou o Senhor teu Deus.
Deuteronômio 20:16,17

Faz-se uma distinção entre os povos que ocupavam a terra prometida e os outros. Nestes, em caso de guerra, apenas os varões seriam passados pelo fio da espada enquanto mulheres e crianças seriam escravizados. Pelo contrário, na terra a conquistar pelos israelitas, tanto homens como mulheres e crianças seriam para abater.

Frei Bento Domingues analisa esta passagem na sua coluna  de 27/12/2015, no Público em que considera que esta passagem blasfema contra Deus ao lhe atribuir esta ordem de genocídio. Para justificar esta posição, socorre-se da distinção entre duas orientações nos textos bíblicos, uma javeísta histórica e outra javeísta cósmica. Na sua opinião, a primeira perspetiva blasfema claramente contra Deus.

De facto, não há volta a dar, pois Deuteronómio apresenta-se como a voz de Moisés dirigindo-e aos hebreus a ordenar claramente o genocídio daqueles povos. Ou está certo ou errado. Frei Bento Domingues decidiu-se por considerar o texto errado e blasfemo já que põe Deus a ordenar a matança de povos inteiros. Aplaudo esta posição assertiva que rejeita as desculpas habituais que põem os julgamentos divinos à mercê das situações históricas.

25
Dez15

Que programa de português?

Redes

A 9 de maio de 2014, escrevi o artigo que aqui insiro.

A tendência programática em França é atualmente no sentido de uma ainda maior liberdade para o professor. No que respeita ao ensino da língua materna e do seu patrimônio literário, distinguem-se os conceitos teóricos e as informações histórico-literárias do exercício da leitura a que essas informações se aplicam.

Nos documentos consultados, verifica-se que a escolha dos textos é deixada ao cuidado do professor, ao contrário do que se passa aqui, onde vemos muitos professores indiferentes ao facto de muitos alunos aprenderem o essencial sobre os textos impostos pelos programas através de resumos em vez de os lerem. O título do artigo refere precisamente está realidade:

A literatura contra a leitura

Já tratei aqui do canone escolar, a propósito das metas curriculares. Resumo a minha opinião no seguinte: onde temos valores literários equivalentes, deve caber ao professor e aos seus alunos a responsabilidade da escolha. Quando o texto é uma obra de valor literário imcomparável, como é o caso de Os Lusíadas, é aceitável a sua obrigatoriedade. Com as metas e com o programa do secundário, viu-se em ação um outro critério que pode ser interpretado como o regresso do livro único. Registam-se não só títulos, mas também as próprias edições, de obras impostas aos alunos do básico e do secundário. Tive curiosidade em ver como se fazia isto noutros países. Começarei pela França.

Num documento governamental que trata do programa do secundário, quanto ao objeto de ensino do francês, decide-se o seguinte:

  • Para o romance e a novela do século XIX (naturalismo e realismo), propõe-se "Un roman ou un recueil de nouvelles du XIXème siècle, au choix du professeur".
  • Para o século XVII (classicismo), "une tragédie ou une comédie classique, au choix du professeur."
  • Para a poesia dos séculos XIX e XX, "Un recueil ou une partie substantielle d'un recueil de poèmes, en vers ou en prose, au choix du professeur."
  • Para estudar os géneros e formas de argumentação dos seéculos XIX e XX, "un texte long ou un ensemble de textes ayant une forte unité : chapitre de roman, livre de fables, recueil de satires, conte philosophique, essai ou partie d'essai, au choix du professeur."

A expressão mais repetida é precisamente esta: "au choix du professeur" Neste programa, definem-se critérios para o professor seleccionar textos que contextualizam historicamente as obras que seleciona. As categorias empregues não referem generalizações histórico-literárias, sempre discutíveis, pois correm o risco de inserir os textos muito arrumadinhos numa meta-narrativa que conduzem a uma leitura meramente ilustrativa ou exemplificativa dos textos. Trata-se, pelo contrário de categorias analíticas.

Exemplifico: "Un ou deux groupements de textes permettant d'élargir et de structurer la culture littéraire des élèves, en les incitant à problématiser leur réflexion en relation avec l'objet d'étude concerné."

No nosso programa, são considerados como conteúdos tanto os textos literários como generalizações histórico-literárias. Por exemplo, os sonetos de camões já estão "lidos" no programa sob os tópicos:

  • A reflexão sobre a vida pessoal.
  • O tema do desconcerto.
  • O tema da mudança.

A leitura escolar, com este programa, tenderá a ficar reduzida ao reconhecimento destes tópicos nos textos. É aqui que me parece que o programa se antecipa à leitura que os alunos poderão fazer. Os nossos jovens nem terão que procurar outras palavras. Trata-se apenas de reconhecer pr exemplo que um certo poema corresponde ao tema do desconcerto e da mudança. Será que assim aprendemos a dar sentido, a descobrir sentidos ancorados nos textos quando o programa já fez esse trabalho? Não se tratará só de reconhecer as etiquetas? O programa dá-nos pois os textos lidos de tal maneira que muitos alunos dispensarão a leitura.

Site consultado: Programme de l'enseignement commun de français en classe de seconde générale et technologique et en classe de première des séries générales et programme de l'enseignement de littérature en classe de première littéraire

22
Dez15

Quanto valem as palavras dum prisioneiro?

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John Cantlie, um fotojornalista raptado pelo Estado Islâmico escreve um artigo na publicação oficial daquela organização. Sabendo John Cantlie o destino que tiveram outros colegas seus às mãos do Estado Islâmico, que valor têm os seus aparentemente sérios artigos que os seus captores acham úteis para os seus fins? 

Encontram a última edição do Dabiq, onde li o artigo de John Cantlie aqui.

07
Dez15

What Makes Mainstream Media Mainstream

Redes

What Makes Mainstream Media Mainstream -  o que Chomsky escreve sobre a estrutura dos órgãos de informação nos Estados Unidos da América que, em sua opinião, trabalham no sentido de criarem o conformismo e perverterem a democracia, com a cumplicidade das corporações e das universidades, tem, como primeira contra-evidência, ele próprio e muitos outros intelectuais de esquerda, críticos exacerbados de tudo o que a América faz, qualquer que seja a administração em causa.

O facto é que muitos deles se mantém de pedra e cal em postos cimeiros, ao que sei, justamente bem pagos, mostrando que é pouco crível que os jornalistas e universitários produtores de informação sejam marionetes nas mãos dessas corporações que ele designa de fascistas, pelo menos na medida em que ele coloca esse orwelianismo.

Embora seja para mim certo que os governos e as sociedades mais abertas do mundo são as que merecem o epíteto de "ocidentais", acho saudável desconfiar dos governos e, dum modo geral de quem quer que tenha poder. Quanto mais poder detém uma pessoa ou uma instituição, mais motivos tem para mentir e para encobrir. Por isso, precisamos de uma informação crítica e investigativa, mas parece-me que não adiantam muito os discursos críticos feitos para justificar uma dado pressuposto político, sem factos e evidências.

Reparem como ele explica a aliança entre os Estados Unidos da América e a Inglaterra na Primeira Grande Guerra como efeito da propaganda inglesa. É como se o mal americano tivesse começado ali, na perspectiva chomskiana.

Quer dizer, o caso era que a informação inglesa apresentava os alemães como os maus e os americanos, esses ingênuos, foram nessa cantiga. Não consigo perceber como é que alguém com um mínimo de cultura histórica pode embarcar numa análise destas. Não se discutem sequer as razões de cada um dos lados, nem se compreende o tipo de aliança que existia entre britânicos e americanos. É como se os alemães fossem pobres vítimas e os grandes culpados fossem os ingleses.

Lembro-me dum episódio que aconteceu neste período. Max Planck assinara um manifesto em que vários intelectuais alemães se tinham solidarizado com o exército do Reich negando as acusações internacionais de violação da neutralidade da Bélgica. Segundo estes, tinham sido os belgas os primeiros a disparar. Em resposta, Einstein participou no lançamento dum contra-manifesto, criticando Planck que era seu amigo.

Para vários dias seus atuais detratores, o império anglo-americano já estava, nesse tempo, no lado do mal, mesmo perante a ameaça do II Reich. Não podemos falar destes acontecimentos sem analisar as motivações de ambos os lados. Se há culpados quem são? Os ingleses que só entraram depois da Áustria invadir a Sérvia e da Alemanha etc, o dominó que todas conhecemos? Os americanos que vieram, ao fim de três anos, socorrer os seus irmãos ingleses?

Quem atacou, primeiro, foram os austríacos e os alemães, não foram? Fizeram mal os ingleses em entrar no conflito após a invasão da Bélgica? Deveriam os americanos continuar de braços cruzados, a ver a Europa desmoronar-se, perante a ameaça dos dois impérios do centro?

Podíamos fazer uma retrospetiva histórica sobre o que seria o mundo se a América se tivesse mantido virgem e não tivesse sido corrompida pela propaganda inglesa. Estaríamos agora num mundo melhor? Teria sido menor a quantidade do sangue derramado?

06
Dez15

Amor em matemática

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Entre o significado de amor em língua natural e o de i em matemática há algo em comum: ambos se reportam à imaginação.

significa  √-1 que é como quem diz a raiz dum dente perdido.

Contudo, i é utilizado sempre em números complexos que conjugam uma parte real com uma parte imaginária. Exatamente o mesmo que acontece com o amor que acrescenta à efabulação a dureza da realidade. No fim de contas, o que interessa é o que fica realmente depois de tanta imaginação.

Quando resolvemos uma expressão numérica com números complexos, a felicidade acontece quando a solução tem apenas uma parte real. Por exemplo, se a 2 acrescentarmos a situação amorosa de 2+i², temos a expressão 2+(2+) cujo resultado é 3. Precisamente, a parte real do amor.

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