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Sem Rede

"Sobre aquilo de que não conseguimos falar, é melhor calarmo-nos." (Was sich überhaupt sagen lässt, lässt sich klar sagen; und wovon man nicht sprechen kann, darüber muss man schweigen) - Wittgenstein.

"Sobre aquilo de que não conseguimos falar, é melhor calarmo-nos." (Was sich überhaupt sagen lässt, lässt sich klar sagen; und wovon man nicht sprechen kann, darüber muss man schweigen) - Wittgenstein.

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17
Nov16

"O Atlas, a língua e os seus delírios" - Nuno Pacheco no Público

Redes

Neste artigo - Nuno Pacheco comenta a publicação do Novo Atlas da Língua Portuguesa, especialmente, as palavras de abertura do nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros que nos dá conta do problema da evolução linguística, tida por divergente, do Brasil face à variante lusa e africana. 

Nuno Pacheco não coloca nos devidos termos a questão dessa divergência. Para ele, significa o fim de um acordo ortográfico falhado. Nas duplas grafias, vê a confirmação da existência de duas ortografias. Contudo, se aplicarmos o princípio linguístico da intercompreensão, verificamos que há apenas uma língua e uma ortografia com casos divergentes, como sucede noutras línguas intercontinentais. Mas também aqui a verdade de agora é a mesma que existia antes deste acordo. No máximo, Pacheco, comprova a inocuidade do acordo e celebra-a. Esta atitude não coincide com a de outras intervenções em que via no acordo a desgraça da língua portuguesa.

O que Nuno Pacheco não faz é analisar e avaliar as divergências referidas por Santos Silva: o fechamento das vogais em Portugal e a evolução divergente da variante brasileira que não se carateriza. Será uma divergência neutramente simétrica? Temos alguns dados que dizem que não. Houve quem quisesse dobrar novelas portuguesas na televisão brasileira. O contrário nunca sucedeu em Portugal: a variante brasileira sempre foi bem sucedida nesse campo, entre nós. Portanto, temos uma evidência a favor do Brasil em termos de intercompreensão.

Com um pouco de mais trabalho, o jornalista teria tirado as devidas consequências de uma das suas afirmações: a variação dialetal dentro de Portugal e do Brasil não é menor do que a que existe entre a norma portuguesa e a brasileira. Portanto, quer a ortografia brasileira quer a portuguesa são imposições políticas sobre uma mar de diversidade linguística. A unificação da ortografia no espaço lusófono também é uma decisão política contra ou a favor da qual se pode estar com a argumentação devida nesse plano. Podemos queixar-nos da insuficiência do acordo no sentido da unificação ortográfica ou podemos estar contra os passos já dados nesse sentido - exigir mais ou menos acordo em duas ortografias que já são muito parecidas.

A concluir, Pachedo pergunta qual das variantes seria a de uma suposta ortografia oficial da ONU. Esta pergunta seria ultrajante para um brasileiro que, naturalmente, perguntaria que país é que pesava mais no facto de o português ser uma língua internacional.

Deixando de lado o que poderia ser visto como complexo imperial de um pequeno país da Europa, Pacheco parece ignorar a forma como tal problema foi resolvido no passado entre os países anglófonos: a ONU adota um dicionário de Oxford que não é fiel a nenhuma ortografia em particular e que junta casos australianos, ingleses e americanos e recenseia variantes admitidas para várias palavras. De certo modo, o problema colocado por Pacheco já foi resolvido no passado. Muitas oraganizações internacionais  adotaram o "Oxford spelling" que diverge em alguns aspetos da ortografia oficial britânica. O Concise  Oxford Dictionary enlenca várias grafias para a mesma palavra. Ver: orientações de "spelling" da NU. Devo reconhecer que as opiniões divergem a respeito do "Oxford Spelling": 

The English language, which is spoken either as a first or a second language in many countries throughout the world, basically has three main orthographic standards: the British, the American and 'Oxford spelling', which is similar to the British standard but with a few nuances and can be considered the most international English (world English, according to the Oxford English Dictionary) and also, to a certain extent, the most neutral in that it does not coincide fully with the official standard used by any English-speaking government. (Which spelling standard in English? 'Oxford spelling')

Contudo,é de assinalar o esforço da produção de um "world english" pelo Oxford dictionary.

No caso do Português, que mal haveria em que se admtissem variantes ortográficas em várias palavras, inscritas no acordo?

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