Sábado, 28 de Abril de 2018

Da redução de frases à redução de texto

A Gramática - caderno de exercícios para o 4.° ano da autoria de Maria Helena Marques e Maria Regina Rocha[1] (Porto Editora, 2016) propõe uma sequência de atividades em que exercícios de expansão e redução de frases dão lugar a exercícios de redução de texto, sugerindo-se que se pode reduzir um texto reduzindo as suas frases. Este artigo dedica-se unicamente à análise deste procedimento didático.

Um exercício de redução de frase caracteriza-se pela remoção dos grupos não selecionados pelos núcleos a que se ligam.

Por exemplo, a frase Ontem, a Sónia fez um pudim delicioso[2] pode ser reduzida para A Sónia fez um pudim. Foram removidos dois grupos: ontem que está ligado a fez um pudim delicioso e delicioso que está ligado a um pudim. Ficamos com o núcleo da frase. Não podemos retirar um pudim delicioso porque é um grupo selecionado pelo verbo fez, sem o qual a frase ficaria agramatical: A Sónia fez.

Não se trata de um problema de falta de informação sobre o resultado da ação – fazer - do agente – a Sónia -, mas apenas da sensação de que falta um elemento essencial à frase. Se a frase fosse A Sónia fez uma coisa ficaríamos sintaticamente satisfeitos, embora igualmente ignorantes do resultado efetivo da ação da Sónia.

A utilidade deste exercício tem pois a ver com a compreensão da estrutura sintática da frase. Podemos retirar modificadores, mas não complementos, porque estes são exigidos pelos seus núcleos, isto é, o sujeito (a Sónia), o verbo (fez) e seu complemento (um pudim). Este, embora não possa ser removido, pode ser reduzido, retirando-lhe o modificador (delicioso).

Aplicando exercícios de expansão e redução de frases, os alunos descobrem não só a forma como a frase está estruturada como podem aprender recursos sintáticos para elaborar frases cada vez mais extensas e complexas, com a expressão do lugar, do tempo, do modo, do instrumento, da companhia, da origem, do fim, da causa, da matéria, da forma e etc. que são basicamente grupos adjetivais, preposicionais, adverbiais, ou, mesmo, grupos nominais e frases coordenadas e subordinadas.

O caderno cumpre bem esta parte levando os alunos a progredir na compreensão da estrutura sintática da frase e no conhecimento de meios sintáticos de enriquecer as suas frases e os seus textos.

Contudo, na sequência destes exercícios sintáticos, sugere-se que se reduzam as frases de um texto na suposição implícita de que o resultado é um texto reduzido: “No texto seguinte, reduz as frases ao essencial, riscando o que pode ser suprimido[3].

 Para analisar este procedimento, vou aplicá-lo a uma fábula conhecida para ver o resultado.

 

A lebre e a tartaruga

 Um  dia, a Lebre encontrou a Tartaruga e ridicularizou o seu passo lento e miudinho.

- Muito bem - respondeu a Tartaruga sorrindo. – Apesar de seres tão veloz como o vento, vou ganhar-te numa corrida.

A Lebre, pensando que tal era impossível, aceitou o desafio. Resolveram entre elas que a raposa escolheria o percurso e seria o árbitro da corrida. No dia combinado, encontraram-se e partiram juntas.

A Tartaruga começou a andar no seu passo lento e miudinho, nunca parando pelo caminho, direita até à meta.

A Lebre partiu veloz, mas, algum tempo depois, deitou-se à beira do caminho e adormeceu. Quando acordou, recomeçou a correr o mais rapidamente que pode.  Mas já era tarde... Quando chegou à meta, verificou que a Tartaruga tinha ganho a aposta e que já estava a descansar confortavelmente.

Moral da história: Devagar mas com persistência completas todas as tarefas.

 

Texto com os elementos a reduzir riscados:

 

A lebre e a tartaruga

Um  dia a Lebre encontrou a Tartaruga e ridicularizou o seu passo lento e miudinho.

- Muito bem - respondeu a Tartaruga sorrindo. – Apesar de seres tão veloz como o vento, vou ganhar-te numa corrida.

A Lebre, pensando que tal era impossível, aceitou o desafio. Resolveram entre elas que a raposa escolheria o percurso e seria o árbitro da corrida. No dia combinado, encontraram-se e partiram juntas.

 A Tartaruga começou a andar no seu passo lento e miudinho, nunca parando pelo caminho, direita até à meta.

 A Lebre partiu veloz, mas algum tempo depois deitou-se à beira do caminho e adormeceu. Quando acordou, recomeçou a correr o mais rapidamente que pode.  Mas já era tarde... Quando chegou à meta, verificou que a Tartaruga tinha ganho a aposta e que já estava a descansar confortavelmente.

 Moral da história: Devagar mas com persistência completas todas as tarefas.

 

Se ficarmos apenas com as frases reduzidas, o resultado é o seguinte:

 

A lebre e a tartaruga 

A Lebre encontrou a Tartaruga e ridicularizou o seu passo.

- Muito bem - respondeu a Tartaruga. – vou ganhar-te.

A Lebre aceitou o desafio. Resolveram que a raposa escolheria o percurso e seria o árbitro da corrida. Encontraram-se e partiram.

A Tartaruga começou a andar.

A Lebre partiu, mas deitou-se e adormeceu. Recomeçou a correr.  Mas era tarde... Verificou que a Tartaruga tinha ganho a aposta e que estava a descansar.

Moral da história: completas todas as tarefas.

 

Analisemos pois o resultado. Um texto reduzido supostamente deve reter o essencial do original. Não há outra coisa que uma redução possa ser que não um resumo com maior ou menor extensão. Para estar corretamente feito, temos de nos assegurar de que retemos o mais importante pois há inevitavelmente perda de informação.

Perdemos

  1. a caraterização do passo da tartaruga (lentidão);
  2. a referência à proposta de corrida (embora a possamos inferir pela sequência);
  3. a qualificação da partida da lebre (velocidade);
  4. o motivo que autorizou a lebre deitar-se a meio da viagem (a velocidade do seu passo).
  5. o modificador de “completas todas as tarefas” que expressa o essencial da história.

 

Parece-me que o resumo ou o texto reduzido teria de ter bem explícitos dois índices essenciais da história a lentidão da tartaruga e a velocidade da lebre para se poder concluir da vitória da persistência. Infelizmente esses elementos essenciais encontram-se em modificadores e não em complementos.

 

Eis uma proposta de resumo da história que reduz de 145 palavras para 46:

 

A lebre ridicularizou o passo lento da tartaruga e esta desafiou-a para uma corrida. A tartaruga partiu lentamente e a lebre velozmente, mas parou a meio do caminho para descansar e adormeceu. Quando acordou, pôs-se a correr rapidamente mas a tartaruga já tinha chegado à meta.

 

Podemos reduzir ainda mais:

 

Uma tartaruga muito lenta ganhou uma corrida a uma lebre veloz porque foi persistente e nunca parou enquanto a segunda, convencida do seu avanço, parou a meio caminho para descansar.

 

O que se passa então quando riscamos modificadores?

 

Para ilustrar o que está em causa, vejam estas frases que têm aproximadamente o mesmo conteúdo semântico e vamos reduzi-las.

 

  • O vento começou e ficou muito forte.
  • O vento começou a soprar com muita força.
  • Começou um vento muito forte.
  • O ar começou a movimentar-se com muita força

 

A parte que expressa a intensidade do vento pode ser retirada ou não de acordo com a estrutura sintática selecionada para expressar o que queremos dizer. E é verdade que podemos dizer a mesma coisa com palavras e frases diferentes.

 

Outro exemplo:

  1. a)No sábado fui a Vila Real com os meus padrinhos.
  2. b)No sábado eu e os meus padrinhos fomos a Vila Real.

Em a) o “complemento circunstancial de companhia” pode ser excluído.

Em b) a mesma ideia é expressa por um sujeito composto que não pode ser riscado.

 

O resumo ou a redução de um texto ou a “contraction de texte”[4] como dizem os franceses não passa pela análise sintática frase a frase, nem pela distinção entre complementos e modificadores, mas sim pela sequência das ideias expressas. É pois preferível que os professores pensem em termos de ideias principais e secundárias, do desenvolvimento da história, da distinção entre tese e exemplos. Num texto científico que se resume os exemplos podem ser retirados, mas as teses, não. Num texto argumentativo, é mais importante a proposição que se conclui do que a sequência de argumentos, etc.

Tendo em conta a proposta de van Dijk com as suas regras do resumo, verificamos que há proposições mais amplas, mais gerais, que se podem inferir de outras mais particulares ou mais concretas. Os diálogos podem ser, primeiro, colocados no discurso indireto, depois, como relato de um ato discusivo. Por exemplo:

 

“Um dia, a Lebre encontrou a Tartaruga e ridicularizou o seu passo lento e miudinho.

- Muito bem - respondeu a Tartaruga sorrindo. – Apesar de seres tão veloz como o vento, vou ganhar-te numa corrida.”

 

Se quiséssemos expandir este excerto teríamos que colocar as palavras da Lebre que poderiam ser:

“Um  dia a Lebre encontrou a Tartaruga e ridicularizou o seu passo lento e miudinho:

- Ah Ah, ó tartaruga estás a andar ou estás parada?”

 

resumir, seria a resposta da tartaruga que passaria para indireto:

 

“Um  dia a Lebre encontrou a Tartaruga e ridicularizou o seu passo lento e miudinho.

A tartaruga respondeu sorrindo que apesar da lebre ser tão veloz como o vento, ela iria ganhar-lhe numa corrida.”

 

Podemos passar do discurso indireto para a referência a um ato discursivo - um desafio.

 

“Um dia a Lebre encontrou a Tartaruga e ridicularizou o seu passo lento e miudinho. Em resposta, a tartaruga desafiou-a para uma corrida.”

 

Do mesmo modo, excluem-se proposições que não implicam com o resultado final. O que interessa para a sequência da história é que houve uma corrida e não que a raposa foi árbitro.

 

É mais produtivo que o professor leia a história com os seus alunos e discuta quais são as ideias (as proposições) que têm que ficar e quais as que podem ser excluídas. Por exemplo: Acham que esta prposição “A raposa foi árbitro da corrida” é importante no resumo? Como podemos saber se é importante? Por exemplo, há alguma coisa de diferente que aconteça por a raposa ser o árbitro?

 

Fazer intervir a redução de frase no resumo terá com toda a probabilidade resultados contraproducentes.

 

[1] Porto Editora, 2016.

[2] Cf. Idem, p. 60.

[3] Idem.

[4] A designação de “contraction de texte” inclui diferentes atividades de resumo em diferentes níveis de ensino. Não se trata nunca de excluir partes de frase ou mesmo de texto, tanto que normalmente a cópia e a paráfrase são penalizadas e a utilização de uma linguagem independente do original é premiada. Em Méthode pour la contraction de texte: (…), por exemplo sugere-se a utiização de dicionários de sinónimos para fugir ao original. Em Comment progresser en contraction de texte  explicitam-se regras que partem da compreensão global do texto, descoberta dos conectores lógicos e de partes, registo das ideias principais de cada parte e redação do resumo final com as suas próprias palavras e não com as do texto que se está a contrair. La contraction de texte insiste nos mesmos conselhos: linha de desenvolvimento do texto, ideias principais, relação entre ideias principais e secundárias, reformulação com as suas próprias palavras, respeito pela dimensão do resumo. Synthése d’un dossier, dá exemplos de como se faz um tipo de exercício de contração de texto que aparece em exames. Gilles Negrello, professor do liceu Champollion repete, neste apondamento para os seus alunos, as mesmas regras das ligações já referidas: Méthodologie : le résumé ou contraction de texte.

A designação de contraction de texte não aparece relacionada com a escola primária mas apenas com o secundário. No primário, prefere-se a expressão “résumé”. Em CE2 que corresponde ao nosso 3º ano – 8 ou 9 anos – Neste fórum, um professor explica que, no resumo, importa considerar, primeiro, o tipo de texto (narrativo, informativo, explicativo). Os documentos sugeridos neste diálogo de professores primários propõem que o professor ensine os alunos a:

  • Dividir o texto em unidades de sentido ou sequências
  • Em cada unidade, distinguir a ideia essencial de explicações e exemplos.
  • Reformular o resumo em que apenas são consideradas as ideias principais do texto original e não as próprias palavras.

Pour écrire un résumé (ficheiro word .doc) para os 8-9 anos, aconselha o mesmo tipo de orientação. Dum modo geral, importa mais o que se retém do texto do que o que se tira. Quando se propoem exercícios para identificar informações supérfluas, estas implicam a identificação prévia das ideias principais e não se confundem nunca com elementos sintáticos de frases do texto. Só ao nível do texto se podem identificar informações supérfluas tendo em conta a intenção de o resumir.

publicado por Redes às 02:24
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2018

O lugar do livro - Cortez lido no Público "online"

Estava a pensar se valia a pena analisar e contribuir para o tema do artigo "O lugar do livro no ensino: problemas e ideias, um subsídio" do António Carlos Cortez no Público. Mas não consegui encontrar nada de palpável para discutir ou analisar. O que quer dizer, por exemplo, levar a discussão sobre o tema para a escola em vez de o discutir na Assembleia da República. Existe essa escolha?

Depois, esta afirmação incrível:

"É verdade que a emergência dos novos meios tecnológicos (o tablet e seus quejandos) não garante – antes impede – a criação de qualquer novo tipo de leitura"

Que evidência pode ser procurada para esta tese? Acho que nenhuma. Desde logo, o que quer dizer "novo tipo de leitura"? Será que o facto de eu ter acabado de ler o artigo que estou a comentar no computador, depois de ter começado a leitura no telemóvel não falsifica esta tese?

Milhares de pessoas leem em computadores, leitores eletrónicos, "tablets" e telemóveis. As editoras têm publicado livros em formato digital. No campo da investigação humanística e científica, a leitura em papel é uma perda de tempo por ser mais morosa. O leitor/investigador vai adiando a leitura dos textos em suporte de papel por causa do incómodo e de muitos instrumentos informáticos não poderem ser tão facilmente aplicáveis a esses itens bibliográficos.

A esse respeito, não há qualquer argumento a não ser a pura rejeição da ligação entre TIC e leitura. O que é apenas cómico, pois não creio que a leitura digital fique ofendida com ACC.

Lemos digitalmente e em linha porque a realidade nos impôs esse "tipo de leitura". É frequente a leitura tornar-se possível, quando de outro modo não se realizaria. Quando numa conversa, se referem textos, especialmente os que fazem parte do património da humanidade, a passagem referida é logo posta à disposição seja da Bíblia, da Odisseia  ou do quer que seja que esteja disponível.

"Perante um trabalho que exige investigação, o tablet ou o iPhone são as tábuas de salvação, julga-se. Mas sem o conhecimento de bibliografia activa e passiva (sem livros na memória!) sobre as matérias acerca das quais têm de “investigar”, que podem os estudantes vir a ler e saber através desses miraculosos suportes virtuais?"

Será que com juízos destes se vai a algum lado? Livros versus tablet ou telemóvel? A primeira coisa a dizer é que sem acesso a recursos em linha é impossível hoje fazer qualquer trabalho de investigação humanística ou científica. Se são necessários livros em papel, isso depende do objeto.

Na sequência do artigo, Carlos Cortez mistura tanta coisa que não é possível concordar ou discordar do que quer que seja: a avaliação, o plágio dos alunos facilitado pela net e a escola a esquecer o livro. O plágio é velhíssimo, não nasceu com a internet. Depois, o cânone: Carlos de Oliveira versus Dan Brown. Os alunos que preferem este provavelmente estarão também usando livros em papel.

Coisas diversas são tratadas como se todas estivessem alinhadas no mesmo eixo de valor que Cortez aplica. Há o suporte da leitura (papel ou electrónica), há a qualidade literária daquilo que lemos quer seja em papel, quer seja em modo digital, há o modo de utilização do trabalho dos outros, e dum modo geral das fontes de qualquer trabalho que é um problema ético antiquíssimo. E há a cultura, o património literário da humanidade e o de Portugal.

Não há remédio para isto: os professores têm que ensinar a ler tanto em papel como em formato digital, a investigar na biblioteca e na Internet, assim como a fazer trabalhos - como utilizar a informação que obtemos de várias fontes para fazer um trabalho significativo nosso.

publicado por Redes às 19:20
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Domingo, 1 de Abril de 2018

Porque mataram Hugo Bettauer (1925)?

(Wikimedia)

Hugo Bettauer, um escritor austríaco de sucesso da década de 20 do século XX, escreveu uma obra que terá irritado os nazis - Die Stadt ohne Juden, (A cidade sem judeus). Breslauer usou o texto de Bettauer para fazer um filme que foi um sucesso em 1924. A história implicava com o antisemitismo, pois tinha como principal proposição a expulsão dos judeus de uma cidade. Esta história, premonitória do que viria a suceder numa escala muito maior, levou a que um militante nazi assassinasse Bettauer. Bettauer adivinhava com rigor o que iria acontecer.

Foi morto por atacar nua e cruamente o ambiente antissemita que estava a desenvolver-se na Áustria e na Alemanha, isto é, por dizer aquilo que se intencionava, por desnudar o inconfessável.

Vem isto a propósito de estar em exibição a obra restaurada: Desaparecido durante décadas, o filme que antecipou o Holocausto está de regresso aos cinemas.

 

 

publicado por Redes às 18:16
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