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Sem Rede

"Sobre aquilo de que não conseguimos falar, é melhor calarmo-nos." (Was sich überhaupt sagen lässt, lässt sich klar sagen; und wovon man nicht sprechen kann, darüber muss man schweigen) - Wittgenstein.

"Sobre aquilo de que não conseguimos falar, é melhor calarmo-nos." (Was sich überhaupt sagen lässt, lässt sich klar sagen; und wovon man nicht sprechen kann, darüber muss man schweigen) - Wittgenstein.

Sem Rede

15
Out13

Berlin Alexanderplatz

Redes

Chegou a altura de arrumar de vez este livro  - Berlin Alexanderplatz - ou, pelo menos, tentá-lo.

A história passa-se algures no final dos anos vinte do século passado. Andava um homem perdido nas ruas e praças de Berlim. Acompanhei-o durante anos nessa deriva de náufrago à procura de algo que lhe oferecesse um sentido. 

Fui levado pela mestria narrativa de Alfred Döblin. As minhas dificuldades de leitura não eram menores do que as que Franz Biberkopf enfrentava na sua vida. Não é em Hochdeutsch que se dá esta narrativa, mas, sobretudo, no falar popular berlinense da altura, coisa difícil para um aprendente de alemão.

A verdade é que já conhecia a história através da magnífica série de Fassbinder que vira numa RTP 2, ainda a preto e branco, e que voltei, agora, a rever numa reedição cuidada.

A narração começa com Franz a sair da prisão, depois de uma pena de quatro anos por homicídio involuntário, na pessoa de Ida, a sua companheira. Este passado é, como nos ensina Heidegger, uma parte fundamental do presente do nosso homem. O seu regresso é uma tentativa de o ultrapassar, com a sua intenção de "anständig sein", isto é de passar a ser honesto1, coisa que a vida não lhe há-de permitir, pois constantemente o reconduzirá ao mundo do crime.

Pois temos um homem fundamentalmente bom, mas que não o consegue ser na prática. É com inocência que o vemos em assaltos, a vender publicações nazis com a famigerada braçadeira no braço, a bater de forma quase mortal na nova companheira e a arrepender-se também profundamente de algumas destas ações. Vemos sobretudo a sua deceção com as ações dos que julgava amigos e que o hão de fazer vítima e arrastar para a loucura e para a perdição total. 

Vemos a severa limitação da resolução de Franz Biberkopf com quem estamos, por vezes, maldizendo-o, mas é com ele que estamos sofrendo com ele e por ele, mesmo quando é ele que leva o sofrimento aos outros. Vemos também uma outra personagem que é a Berlim do final dos anos 20.

1"Biberkopf hat geschworen, er will anständig sein, und ihr habt gesehen, wie er wochenlang anständig ist, aber das war gewissermaßen nur eine Gnadenfrist. Das Leben findet das auf die Dauer zu fein und stellt ihm hinterlistig ein Bein."

(Bibrlkopf jurou que queria ser honesto e vimos como ele é honesto durante a semana toda, mas isso era, por assim dizer, apenas um misericordioso adiamento. A vida acha isso um coisa demasiado delicada para durar e passa-lhe uma rasteira traiçoeira.)

 

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