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Sem Rede

"Sobre aquilo de que não conseguimos falar, é melhor calarmo-nos." (Was sich überhaupt sagen lässt, lässt sich klar sagen; und wovon man nicht sprechen kann, darüber muss man schweigen) - Wittgenstein.

"Sobre aquilo de que não conseguimos falar, é melhor calarmo-nos." (Was sich überhaupt sagen lässt, lässt sich klar sagen; und wovon man nicht sprechen kann, darüber muss man schweigen) - Wittgenstein.

Sem Rede

14
Jan05

Os descobridores do BrasilDiscursos

Redes
Andava perdido no zapping televisivo quando me deparei com o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, qual raposa matreira que se preparava para uma grande tirada, a dizer:

"Fomos nós que descobrimos o Brasil. Agora tire daí as suas ilações". Como já ouvi muita gente dizer que fomos nós que fizemos isso de descobrir o Brasil, fiquei a pensar nas ilações que o pobre jornalista teria que tirar. Por exemplo:

1. Nós somos superiores aos brasileiros, já que lhes descobrimos o país, coisa que eles não conseguiriam fazer por si próprios. Pelo contrário, nós nunca precisámos que ninguém nos ajudasse a descobrir o nosso.

2. Os brasileiros são muito novos, coitados, inexperientes. Só têm a ganhar em aprender connosco, que até lhes descobrimos o país.

3. Os futebolistas brasleiros devem vir de preferência para Portugal porque nós é que os descobrimos. Por exemplo, os castelhanos do Real Madrid não têm que ir lá fazer nada. Se quiserem futebolistas que os vão buscar às terras que eles descobriram. O Benfica, sim, é que tem o direito de ir lá buscar reforços para suster a crise em que se encontra.

4. Não é de esperar que os portugueses vão jogar para o Brasil, já que não precisam de ser descobertos.

5. Os brasileiros quando estão em dificuldades têm uma tendência natural para procurar quem os descobriu, que somos nós e mais ninguém.

6. Etc...

Isso de descobrir o Brasil, foi mesmo uma grande coisa que Pedro Álvares Cabral fez há quinhentos anos. Depois dele, houve milhares de outros que para lá foram também descobrir aquilo. O problema é que a maior parte dos que se seguiram ficaram por lá e, agora, os seus descendentes são brasileiros.

Por isso, muitos destes podem hoje dizer que são descendentes dos portugueses. Mas isso não quer dizer que sejam descendentes do senhor Luís Filipe Vieira ou meus ou seus.

Já que os seus antepassados correram o risco de atravessar o Atlântico de barco à vela ou em vapores ranhosos, não terão esses brasileiros mais direito de dizer "Nós é que descobrimos o Brasil" do que o sr. presidente do Benfica ou eu, ou você?

Eu pelo menos nunca lá estive e, quanto aos meus ascendentes directos, também acho que não, a não ser um ou outro primo afastado, que já não é português.

Mas que me dá muito orgulho dizer "Nós é que descobrimos o Brasil", isso dá!

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