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Sem Rede

"Sobre aquilo de que não conseguimos falar, é melhor calarmo-nos." (Was sich überhaupt sagen lässt, lässt sich klar sagen; und wovon man nicht sprechen kann, darüber muss man schweigen) - Wittgenstein.

"Sobre aquilo de que não conseguimos falar, é melhor calarmo-nos." (Was sich überhaupt sagen lässt, lässt sich klar sagen; und wovon man nicht sprechen kann, darüber muss man schweigen) - Wittgenstein.

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19
Out11

Aprender a aprender

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Atentemos nas ideias-chave que há quase meio século dão forma ao nosso horizonte pedagógico:

- O que importa, sobretudo, na educação não é o que se aprende, mas aprender a aprender.

- O ambiente deve ser rico, diversificado e estimulante.

- É preferível pôr o aluno a descobrir do que lhe dar de mão-beijada os conteúdos. É neste "descobrir" que radica o "aprender a aprender".

- Importa evitar o decorar de coisas que não se compreendem plenamente.

 

Na Fundação Franciso Manuel dos Santos, num novo encontro de especialistas, contrapõe-se:

- O conhecimento implica prática, memorização e reforço, também através de testes (que não servem só para avaliar).

- O ambiente ganha em ser austero - paredes nuas - a fim de impedir distrações.

- Os textos devem ter a informação assinalada e sublinhada para facilitar a absorção.

- Envolvimento e atividade por parte dos alunos são requeridos no exercício e treino de competências. Fazer um teste faz parte do que se chama "atividade".

- Colocar problemas e pôr os alunos a raciocinar sobre hipóteses antecipando caminhos de resolução e a apresentação de soluções é uma boa prática. Se acham que isto é "descobrir", então ainda bem.

 

Aqui no Educare.

13
Dez10

Metas de aprendizagem - extensão e complexidade

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Parece-me que há um problema com a extensão e repetição de fórmulas que afasta o utilizador das metas de aprendizagem. Constata-se logo, numa primeira observação, a enorme quantidade de itens e hierarquias entre as diversas metas. Pelo articulado, depreendo que tal profusão se deve à intenção de inserir nas metas todos os passos da aprendizagem. Acharia mais útil que esta  informação estivesse à parte como orientação metodológica aqui e nos próprios programas oficiais.

Exemplifico. Desenvolver a consciência fonológica é um passo essencial e também uma consequência da aprendizagem da leitura, como numerosos estudos - de que lembro alguns do professor Alexandre Castro Caldas - provam. Mas as metas de aprendizagem estão na consciência fonológica ou na leitura e na escrita?

A desgraça da leitura foi o desprezo pela fonologia nos métodos de aprendizagem idealizados nos anos sessenta pelo construtivismo, que se baseavam na ideia da descoberta da escrita, expressão de um estudo célebre desta área que é o de Ferreiro e Teberovski (ver FERREIRO, Emília e TEBEROVSKI, Ana. Psico-gênese da Língua Escrita. Porto Alegre: Artes. Médicas, 1986), em que o sentido e o contexto (o global) dominavam a aprendizagem inicial da leitura esquecendo que os nossos sistemas de escrita alfabética não se fundamentam essencialmente nisso.

O resultado era haver aprendentes que não conseguiam dar o salto da leitura de frases e palavras inteiras conhecidas para palavras novas ou pseudo-palavras. Enfim, não dominavam a técnica da decifração nesta arte milenar que remonta aos antigos fenícios.

A haver metas para a leitura no 2º e no 4º ano de escolaridade seria a descrição ,num pequeno trecho, do desempenho da leitura que se deve esperar no final desses anos e não todos os passos. Parece que se receia que o professor não trabalhe ambas as vias de acesso à escrita: as unidades distintivas (fonemas e grafemas) e as unidades significativas (palavras e frases).

Parece-me que esta obsessão de pôr a metodologia em tudo torna mais difícil a utilização das metas de aprendizagem.

Eis o articulado que referi:

    • Consciência Fonológica

        O aluno suprime, acrescenta ou troca sons (fonemas) numa das sílabas da palavra.

        O aluno reconstrói palavras por combinação de sons da fala (fonemas).

        O aluno segmenta fonemicamente qualquer palavra.

        O aluno conta os sons (fonemas) de cada sílaba das palavras.

        O aluno produz palavras e pseudo-palavras através da manipulação de sons da fala (fonemas).

        O aluno identifica mudanças nas sílabas ou nas palavras por substituição, supressão ou adição de um som da fala (fonema).

        O aluno identifica grupos consonânticos no interior da palavra.

        O aluno identifica grupos consonânticos em posição inicial de palavra.

        O aluno altera o acento da palavra gerando nova palavra ou pseudo-palavra.

        O aluno identifica a sílaba tónica.

        O aluno identifica as sílabas que estão antes e depois da sílaba tónica.

    • Reconhecimento e Escrita de Palavras e Letras

        O aluno ordena alfabeticamente palavras.

        O aluno identifica e escreve todas as letras maiúsculas e minúsculas do alfabeto.

        O aluno faz a correspondência som/grafema para todas as letras do alfabeto e todos os dígrafos.

        O aluno soletra (as letras de) palavras dissilábicas.

        O aluno reconhece globalmente palavras frequentes e menos frequentes.

        O aluno reconhece globalmente palavras frequentes.

        O aluno reconhece os grupos consonânticos mais frequentes do português.

        O aluno usa o conhecimento de sequências gráficas frequentes para ler palavras desconhecidas (e.g.: casa/casamento; lê/relê).

        O aluno usa a correspondência letra/som para ler palavras desconhecidas.

        O aluno usa o conhecimento das sílabas para decifrar palavras desconhecidas.

        O aluno escreve palavras e frases.

Não creio que um documento desta extensão possa ser considerado estanque. Acho que a prática deve conduzir à sua reformulação. Aqui fica posta a público esta observação de alguém que tenta honestamente utilizar as metas de aprendizagem.

16
Set10

A começar pelo princípio

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António Barreto e Nuno Crato querem falar de Educação, "a começar pelo princípio", num ciclo de conferências, noticiado pelo Educare. Nela participa o filósofo Fernando Svater, o autor de O Valor de Ensinar e várias personalidades, cujos nomes aqui ficam para futura referência:

  • Ricardo Moreno Castillo, um professor de Matemática madrileno,autor de De la buena y de la mala educación;
  • Michel Fayol, um psicólogo francês que tem produzido estudos científicos muito valiosos sobre a maneira como se aprende matemática;
  • Roger Beard e Linda Siegel, especialistas no ensino da leitura

Na entrevista ao Educare, Nuno Crato enfatiza as ideias que já lhe conhecemos:

  • A motivação não é um pressuposto inicial da aprendizagem
  • A compreensão crítica não deve ser um objectivo primordial e não se opõe à memorização e ao treino
  • O ensino não se deve basear preferencialmente no contexto cultural ou vivencial dos alunos
  • Deve-se insitir na a generalização e na abstracção e não restringi-las.
  • Os docentes são os agentes decisivos do ensino e têm sido menosprezados e desautorizados
  • A avaliação dos professores não deve ser feita independentemente da avaliação dos alunos
  • Predominam crenças infundadas no valor da "vivência dos alunos", da "autoconstrução" da aprendizagem, do "ensino em contexto", das actividades e das "investigações"

Veja, se quiser, mas não diz muito mais do que escrevi: Educare, "Começar pelo princípio"


11
Set10

Paulo Prudêncio na SIC online - alguns comentários

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Foi com muito prazer que vi na SIC online, o Paulo Prudêncio, uma referência da comunidade escolar a que pertenço.

Não tive a oportunidade de ver o programa em directo; vi-o através das janelas inseridas no Correntes (http://correntes.blogs.sapo.pt/788493.html).

Revi com muita atenção todas as questões colocadas e as respostas dadas. À primeira questão, o Paulo responde com um raciocínio muito complexo, mas que acabou por ser muito pouco assertivo. Vários intervenientes ficaram com a sensação de que ele era contra o fecho de escolas com menos de 20 alunos ou que não reconhecia qualquer mérito a esta medida. Eu não teria a menor dúvida em concordar com essa decisão. Sem dúvida, que por arrasto vêm outras questões, como a qualidade nas escolas para onde são remetidos esses alunos, o software, evidentemente, a gestão e a organização da aprendizagem.

Uma ideia interessante apresentada é a das variáveis do sucesso em que o professor vale apenas 10%. Isso pode ser verdade em termos diferenciais ou marginais, se quisermos. O que a minha filha aprendeu de Matemática no 9º ano é devido em 100% ao trabalho da sua professora de Matemática, porque ela estuda em função das exigências da professora e sem essas exigências e sem as suas lições, a minha filha saberia menos 100% do que aprendeu.

Ora, aquilo a que chamamos sucesso não tem a ver com o facto da aprendizagem efectiva, mas com o reconhecimento de que ela correspondeu às exigências da professora e do programa. Então, o que está em jogo aqui é o efeito do trabalho da professora no sentido de fazer com que o aluno ultrapasse as barreiras que ela própria lhe põe à frente. É aí que as capacidades cognitivas do aluno entram em jogo, assim como as expectativas dos pais o que está comprovado tem muito a ver com rendimento, classe social e grau de instrução.

Este jogo perverso não nos devia interessar muito, pois a própria definição de uma programa de aprendizagem não pode ser feita nem por baixo nem por cima, mas pela média, significando sempre necessariamente que muitos não o conseguem cumprir com o tempo e as condições de que dispõem enquanto alguns o realizarão melhor e mais depressa.

Sérgio Alves tem razão em dizer que a acção do Magalhães e a renovação do Parque Escolar são boas medidas. Eu se lá estivesse, de certeza que faria má figura, metia os pés pelas mãos, teria também um raciocínio cheio de "nuances", mas aqui, de cabeça fria, acho que tenho que reconhecer bondade a estas políticas, sem deixar contudo de criticar duramente os problemas que elas colocam.

A ideia do Magalhães, por exemplo, não nasceu em Portugal. Foi um projecto do MIT com a liderança do famoso Negroponte que depois foi copiada pela Intel na criação do "class mate computer" que é, ao fim e ao cabo, o Magalhães. O que é que a escola deve fazer para dar rendimento pedagógico ao Magalhães é outra questão.

Não tenho opinião formada sobre as "novas oportunidades", mas gostei de ver o Paulo a valorizar a certificação de competências por pessoas que deixaram de ir à escola. O que eu tenho ouvido dizer é que a escola põe-se a avaliar o curriculum vitae das pessoas num aspecto muito global, o que me parece que excede a competência dos certificadores. Acho que a escola devia restringir-se aos saberes que cultiva - sejam eles de ordem académica ou profissional. As pessoas devem ir à escola para esta lhes dar o que tem para oferecer e não para a escola ver o que é que as pessoas já aprenderam durante a sua vida.

Na discussão sobre os mega-agrupamentos parece-me haver uma confusão entre a dimensão da escola e o agrupamento de escolas pequenas numa única mega-unidade de gestão. A dimensão das escolas não está aqui em causa, como se sugere com a comparação com outros países que estão na onda do downsizing das escolas. Cada uma, por mais pequena que seja, terá necessariamente uma gestão própria, mas inserida numa mega-unidade. Dito isto, não estou nem a defender nem a rejeitar esta política.

Nuno Figueira tem razão quanto à necessidade de exames e certificações externas, especialmente no final do Ensino Básico. Mas um exame deve ser visto como um certificado da qualidade da aprendizagem. A distinção entre "passar" e "chumbar" não faz grande sentido. Imagine uma série de graus - como o sistema inglês em que a distinção vai de A a G. Para um curso de formação de canalizadores, o F a Matemática poderia chegar, o que significaria que o aluno sabe, por exemplo, fazer operações de aritmética simples e medições, mas não bastaria para fazer um curso de engenharia. Pense-se no seguinte: certificar é dizer o que uma pessoa sabe e é capaz de fazer e não aquilo em que ela falhou. Um outro comentador fez muito bem a distinção entre avaliação e classificação.

São apenas alguns comentários. Peguei nos aspectos em que poderia contrapor algo.

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